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Card. Hummes: "a fé, a natureza e o Criador na Laudato si"

Povo Yawanawa vive em reserva demarcada em 1933 no Acre - REUTERS

07/12/2017 07:30

Cidade do Vaticano (RV) - «Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão crescendo?». Esta questão é o âmago da Laudato  si’,  a Encíclica do Papa Francisco sobre o cuidado da Casa Comum, que prossegue: «Esta pergunta não toca apenas o meio ambiente de maneira isolada, porque não se pode pôr a questão de forma fragmentária», mas conduz a interrogar-nos sobre o sentido da existência e dos valores que estão na base da vida social: «Para que viemos a esta vida? Para que trabalhamos e lutamos? Que necessidade tem de nós esta terra?»:  

No documento, o Papa  Francisco se dirige aos fiéis católicos, retomando as palavras de São João Paulo II: «os cristãos, em particular, advertem que a sua tarefa no seio da Criação e os seus deveres em relação à natureza e ao Criador fazem parte da sua fé».

É justamente sobre esta dimensão religiosa da Laudato si, que o Cardeal Cláudio Hummes, Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), esclarece:

 "A dimensão religiosa se baseia em nossa fé em Deus Criador. Nós cremos que Deus criou o universo e, portanto, também nosso Planeta, a Terra. Deus deu este planeta a nós, seres humanos, como um dom gratuito, para dele tirarmos nosso sustento e para cuidarmos dele como de um jardim, para o administrarmos, sim, mas não para o devastar e destruir. Por isso, a Igreja canta e louva a Deus pela criação e lhe dá graças por podermos usufruir da terra. Mas a Igreja também orienta a humanidade para cuidar da terra, segundo as indicações de Deus. Porém, o mais importante em nossa fé cristã, relativo à terra, é que o Filho de Deus se fez homem para nos salvar da morte e de todos os males. Fez-se homem e tomou o nome de Jesus. O corpo de Jesus, como qualquer corpo humano, é feito dos elementos da terra. Assim, Deus se uniu definitivamente e de modo radical com nosso planeta. Este corpo de Jesus morreu na cruz e depois ressuscitou glorioso e vencedor e está definitivamente junto de Deus. Ora, nesta morte e ressurreição gloriosa a terra toda, presente no corpo de Cristo, toma parte. Assim, há em Cristo uma nova criação e no final dos tempos todo o universo criado de alguma forma misteriosa participará do Reino definitivo de Deus, como nova criação".

"A dimensão ética de que fala o Papa na Laudato si’ tem a ver com nossa responsabilidade para com os pobres e para com as futuras gerações. A devastação e a degradação da terra atingem em primeiro lugar os pobres, que terão cada vez menos acesso à água segura e à terra para cultivar. O grito dos pobres e o grito da terra, diz o Papa, é o mesmo grito". 

07/12/2017 07:30