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Iêmen. Mons Hinder: profanado cemitério cristão. Insegurança total

Manifestação no Iêmen - EPA

23/11/2017 15:14

Cidade do Vaticano (RV) - Nos últimos dias mais uma profanação se verificou no cemitério cristão de Áden que viu envolvido os túmulos das quatro Irmãs de Madre Teresa assassinadas durante um assalto à sua casa em março de 2016. Foi o que contou aos microfones da Rádio Vaticano (Secretaria para a Comunicação), Mons Paul Hinder, Vigário apostólico da Arábia meridional (Emirados Árabes Unidos, Omã e Iêmen). Trata-se de um “lugar sagrado e histórico que acolhe também anglicanos, católicos e protestantes”, acrescenta o prelado, e é uma violência que se repete no contexto de uma dramática situação econômica, social e humanitária que o Iêmen vive há pelo menos dois anos.

Nas últimas horas, a Organização Mundial de Saúde, OMS, lançou um alerta para mais de 940 mil casos de cólera e um total de 2.208 vítimas. Fez ainda um apelo urgente para que sejam reabertos canais de trânsito de ajuda humanitária sublinhada pela União Europeia. Até agora, de acordo com uma ONG dos Estados Unidos, o fechamento de portos e aeroportos no Iêmen, imposto pela coalizão militar árabe liderada por Riad, representa uma “punição coletiva” que poderá provocar a desnutrição de 500 crianças por semana.

Mons. Hinder expressa toda a sua dor pela impossibilidade de agir concretamente em prol do país e da população: “A situação não está clara”, diz ele, “não há informações seguras e não se pode ter um quadro total das coisas. O que se sabe concretamente é que em Áden há uma insegurança total, enquanto em outras áreas se padece a fome porque é impossível à população ter acesso a alimentos. Em algumas áreas há também epidemias e doenças que estão fora de controle”.

O ataque ao cemitério cristão que envolveu cruzes e túmulos violados é o espelho de um conflito local e regional que parece não ter fim e que desde janeiro de 2015 vê opostos a liderança sunita do ex-presidente Hadi, apoiada por Riad, e os rebeldes xiitas Houthi, próximos ao Irã e o Hezbollah.

Fontes da ONU falam de quase 9 mil mortes, 60% das quais são civis e 45 mil feridos. Num total de 28 milhões de pessoas, o conflito deixou cerca de 20 milhões de pessoas necessitadas de assistência e de ajuda humanitária para sobreviver. Destes, pelo menos 7 milhões vivem à beira da fome, 2,3 milhões as crianças desnutridas. (SP)

23/11/2017 15:14