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Na COP23, o sofrimento do povo ancestral Krenak

Geovani Krenak concedeu entrevista à RV - RV

16/11/2017 09:00

Bonn (RV) – Os Krenaks são um povo indígena nativo do estado de Minas Gerais. Eles ainda vivem ali, em sua reserva, onde até 2 anos atrás podiam se banhar, nadar, consumir e realizar seus rituais. Desde então, isso não é mais possível. Em 5 de novembro de 2015, a maior tragédia ambiental da história do Brasil mudou as suas vidas, tirando deles o que lhes era mais sagrado. Tida como sagrada há gerações, toda a água utilizada pelos índios está ainda contaminada pela lama escoada do estouro das barragens da mineradora Samarco.  

Depois de milênios, não podem mais fazer o Atoran, um rito em que se banhando no rio, limpam as almas de toda a impureza e pedem ao Criador para transformá-la em coisas boas. Porque o ‘Watu’ - o rio Doce - é sagrado.

Geovane Krenak é uma liderança deste povo. Ele foi até a Alemanha, à cidade de Bonn, diante de milhares de representantes, estadistas, ativistas de todos os países do mundo participantes da Conferência COP23, para denunciar a situação de sua comunidade, que há anos reivindica também a posse da Terra Indígena Krenak situada no Parque Estadual de Sete Salões, no leste do estado. A Fundação Nacional do Índio (Funai) deve concluir o processo até dezembro. Segundo Geovane, ‘seria um modo de recompensar seu povo’ neste momento tão triste de sua história.

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“Nosso povo, quase 700 pessoas, vivemos às margens do Rio Doce. Fomos atingidos de uma maneira que é difícil explicar. Ao longo de nossa história, mantemos o hábito de nadar, caçar e pescar, e usar a própria água para matar a sede. Nosso povo se viu sem o seu principal protetor: o Watu, o rio sagrado”.   

“Tem sido complicado, não está sendo fácil para nós. As crianças não têm lugar para aprender a nadar. Nosso povo sempre foi conhecido como excelente nadador. Talvez esse seja o pior momento da história do povo Krenak”.

“Temos uma reivindicação em relação ao Território dos Sete Salões, que é uma área que ainda tem água limpa. Em alguns lugares podemos nadar, pescar. Talvez seria uma forma de amenizar todo o sofrimento do nosso povo. Estamos aqui para justamente também exigir esta demarcação. Já se encontra na Funai um estudo, mas o governo brasileiro resiste em demarcar o nosso território. Esta é uma luta, sabemos que não é fácil, mas a nossa vinda aqui à Alemanha é justamente para denunciar isto e ver de que forma a comunidade internacional pode nos auxiliar neste processo de direitos”. 

 

 

16/11/2017 09:00