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El Salvador: que o testemunho dos mártires jesuítas ajude a mudar o curso da história e do país

Salvadorenhos recordam os jesuítas e as duas colaboradoras assassinados em 1989 - AFP

15/11/2017 17:36

San Salvador (RV) – “Que a morte dos mártires jesuítas e das colaboradoras leigas nos encorajem a trabalhar incansavelmente para mudar o curso da história e do país”, afirmou o Reitor da Universidade Centro-americana (UCA),  Padre Andreu Olivo, por ocasião dos 28 anos do assassinato dos seis sacerdotes jesuítas e das duas colaboradoras leigas por obra do exército salvadorenho, na madrugada de 16 de novembro de 1989.

Também o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein - que estará em El Salvador para discutir com as autoridades e as organizações humanitárias os progressos e os desafios enfrentados pelo país - tomará parte nas celebrações programadas pela recorrência.

Segundo informações recebidas pela Agência Fides, o Reitor da UCA afirmou que “vivemos em um mundo sempre mais difícil e mais duro, sobretudo para os pobres, um mundo que parece ter endurecido o coração de muitas pessoas, especialmente daqueles que têm a liderança de muitos países. Temos necessidade de muita força, coragem e unidade para continuar este trabalho”.

O Reitor explicou que se vivem momentos difíceis em nível social, econômica e político, e portanto existem muitos motivos pelos quais a população pode cair no desespero. Devemos, ao invés disto, tirar forças destes testemunhos para trabalhar incansavelmente para mudar o curso da história e do país.

De fato, para o sacerdote, a morte dos mártires jesuítas e das duas colaboradoras, teve um forte impacto em sua vida, quando era ainda noviço, o que o levou a tomar a decisão de dedicar-se totalmente ao trabalho de acompanhamento daqueles que são mais desprotegidos.

“Devemos trabalhar para defender a vida – defendeu – para resolver os graves problemas humanos e cristãos que afligem a nossa sociedade, como a violência, a exclusão, a migração, as desigualdades injustas, a falta de trabalho e de valores. Se continuarmos a trabalhar por isto, então colheremos testemunhos de nossos mártires e deixaremos que iluminem as nossas vidas, o nosso trabalho e as nossas lutas”, afirmou Padre Andreu.

Os fatos

Em 16 de novembro de 1989, foram assassinados com rajadas de metralhadoras seis jesuítas e duas mulheres: os Padres Ignacio Ellacuría (Reitor), Segundo Montes (Superior da Comunidade), Ignacio Martín-Baró (Vice-reitor), Amando López (Professor), Juan Ramon Moreno (Professor) e Joaquin Lopez (Diretor nacional de “Fe y Alegria”). As duas mulheres eram a cozinheira Julia Elba e a sua filha Celina Ramos.

Os seis jesuítas trabalhavam no campo da formação e da educação, sobretudo entre os mais pobres, na defesa dos mais vulneráveis, na reivindicação dos direitos humanos, na acolhida dos refugiados.

A chacina provocou uma onda de indignação em todo o mundo e aumentou as pressões da comunidade internacional para que o governo e os guerrilheiros iniciassem um diálogo e colocassem fim ao conflito armado no país.

Atualmente, o crime continua impune. Os 20 soldados salvadorenhos envolvidos no episódio não foram processados em El Salvador. Alguns já morreram e outros foram processados na Espanha. (JE/Fides)

15/11/2017 17:36