Ler o artigo Acessar menu principal

Redes Sociais:

RSS:

Rádio Vaticano

A voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo

outras línguas:

Igreja \ Igreja no mundo

Bispos australianos: urge desenvolver economia inclusiva e sustentável

Superar modelo de desenvolvimento econômico que gera crescente desigualdade atingindo sobretudo os mais vulneráveis - ANSA

09/10/2017 18:49

Sydney (RV) - “Uma questão que diz respeito a todos: desenvolver uma economia inclusiva e sustentável”, assim se intitula o novo relatório da Comissão “Justiça e Paz” dos bispos católicos australianos que constitui o tema norteador da reflexão para este ano 2017-2018.

Partindo de uma passagem do Evangelho segundo Mateus (Mt 20,1-16), os bispos se dizem preocupados com a crescente desigualdade e, sobretudo, com a situação dos mais vulneráveis.

Sistema econômico que traga benefícios e bem-estar para todos

O texto pede o retorno a uma maior “inclusão” e faz votos de “uma nova abordagem”, capaz de construir um sistema econômico que traga benefícios e bem-estar para todos, não somente para as elites ricas.

Os bispos indicam alguns critérios fundamentais a fim de que o sistema econômico seja mais inclusivo: é preciso partir da consideração de que as pessoas e a natureza não são “simples instrumentos de produção”, passando pela urgência de tomar consciência de que “o crescimento econômico sozinho não pode assegurar um desenvolvimento global e sustentável”.

Princípio da equidade social nas dinâmicas econômicas

Os bispos ressaltam que no coração das dinâmicas econômicas deve residir “o princípio da equidade social”, ao mesmo tempo, “as empresas devem beneficiar toda a sociedade, não somente os acionistas”.

Ademais, é preciso ter a peito, no processo das decisões políticas, fenômenos como “a exclusão e a vulnerabilidade”. Em tudo isso, faz-se referência também à natureza, mediante a urgência de sensibilizar o aumento da tomada de consciência sobre a necessidade de práticas econômicas e produtivas sustentáveis.

Modelo econômico deixou três milhões de australianos na pobreza

“Essa reflexão chega num momento crítico em que a Austrália, após ter experimentado ao longo período de 25 anos um crescimento econômico ininterrupto, se dá conta de que quase três milhões de australianos, entre os quais 730 mil crianças, vivem na pobreza. Como pessoas de fé, somos pessoas de esperança e somos também chamados a ser pessoas de ação”, disse o responsável do Setor “Justiça, ecologia e desenvolvimento”, do Conselho católico australiano para a justiça social.

Neoliberalismo promoveu profunda desigualdade

“O racionalismo econômico que seguimos nos últimos 40 anos corroeu esses ideais e criou uma economia altamente individualista que favorece aqueles que têm disponibilidade de recursos e de influência política. O neoliberalismo promoveu uma profunda desigualdade”, observa um comentário do fórum dos Redentoristas australianos, recordando os alarmantes fenômenos sociais como emprego pouco retribuído e inseguro, e um número cada vez maior de sem-teto e de aborígenes no limiar da pobreza.

“Deveriam ser levadas em consideração medidas como a extensão das pensões para as viúvas e os desempregados, bem como o desenvolvimento de medidas fiscais segundo o critério progressivo”, acrescenta.

Inspirar políticas que permitam superar exclusão social

O texto dos bispos desafia todos os australianos, dos líderes políticos a todos os cidadãos, a reencontrar aquela “sensibilidade igualitária” que inspire políticas de justiça social e permita superar a exclusão social.

O texto, lançado e difundido no último domingo de setembro (chamado na Austrália o “Dia da justiça social”), foi dado para ser lido e estudado em todas as dioceses e comunidades, a fim de dar início a um percurso de debate e reflexão que se auspicia se torne fecundo de propostas e projetos. (RL/Fides)

09/10/2017 18:49