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Encontro de políticos católicos na Colômbia debaterá papel dos leigos na vida pública

O político católico não pode fazer qualquer tipo de opção, pois existem algumas que contradizem a fé que professa, explica Guzman Carriquiry - REUTERS

29/09/2017 15:22

Bogotá (RV) – Cerca de 70 expoentes políticos e de governo do continente americano estarão reunidos na sede do CELAM em Bogotá, de 1º a 3 de dezembro, para participar do “Encontro de católicos que assumem responsabilidades políticas a serviço os povos latino-americanos”.

A importância do evento pode ser verificada também pelas presenças dos Cardeais Marc Ouellet e Ruben Salazar, respectivamente Presidentes da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL) e do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), que presidirão o encontro.

A Secretaria de Estado do Vaticano estará representada pelo Arcebispo Paul Richard Gallagher, Secretário para as Relações com os Estados. Estarão presentes 15 cardeais e bispos do continente.

Ainda a confirmar a presença dois ex-Presidentes da República: Felipe Calderón, do México, e Rafael Correa do Equador. Do Brasil participarão 8 deputados de 8 partidos políticos diferentes. Do México, além de católicos de diferentes partidos, tomarão parte no encontro um senador, um ex-governador e um prefeito. Dois Ministros anti-corrupção do Paraguai e Honduras também participarão.

Papa Francisco

“Sem dúvida o Papa Francisco foi consultado desde o início sobre esta iniciativa, que ele mesmo acompanha com muita atenção e encoraja muito”, confirma o Professor  Guzman Carriquiry, Secretário encarregado da Vice-Presidente da CAL e organizador do encontro.

Ele “recém nos assegurou que não faltará a sua videomensagem para o encontro. Também isto chama a atenção. Foi ele que para a Assembleia Plenária da Comissão para a América Latina de março de 2016 no Vaticano escolheu o tema “O indispensável compromisso dos leigos na vida pública dos países latino-americanos”.

Objetivos do encontro

O objetivo do encontro – explicou Carriquiry - “não é estreitamente político. É eminentemente pastoral. Quer suscitar uma intensa troca de experiências, testemunhos e reflexões sobre experiências de leigos católicos que estão muito presentes na cena política de nossos países e colocar os pastores, e por meio das comunidades cristãs, em uma atitude de escuta das necessidades e situações que estes políticos devem enfrentar a cada dia, buscando as modalidade mais apropriadas para acompanhá-los, apoiá-los e alimentá-los neste compromisso”.

Magistério de Francisco e realidade latino-americana

É óbvio – continuou – que tudo acontecerá no contexto do magistério do Papa Francisco e no contexto dos grandes desafios de identidade, unidade e integração da América Latina, da proteção da vida, do matrimônio, da família, da importância da educação como bem público, do crescimento econômico com equidade e justiça, da inclusão dos setores marginalizados e “descartados”, de políticas de pleno emprego, da reabilitação da dignidade da política e da participação popular, do cuidado pela casa comum e da sua ecologia humana e ambiental, da luta contra o tráfico de drogas, a corrupção e a violência, da construção da reconciliação e da paz, realizando convergências nacionais e populares que coloquem na ordem do dia o bem comum de nossas populações”.

Distinção entre Igreja e comunidade política

“Temos também muito claras outras duas premissas fundamentais - enfatiza o acadêmico, jornalista e advogado uruguaio: a distinção entre Igreja e comunidade política – a missão da Igreja não é a de ser antagonista ou capelã de regimes políticos, nem a de oferecer receitas para os problemas da comunidade política – assim como o fato de que a liberdade e a responsabilidade dos leigos no mundo da política, na coerência com a sua fé, não se nutre de palavras de ordem eclesiástica”.

Doutrina Social da Igreja

A Doutrina Social da Igreja – explicou ele – “nunca pretendeu transformar-se e traduzir-se em uma engenharia social pré-fabricada com o objetivo de dispensar “soluções concretas e menos ainda soluções únicas para questões temporais que Deus deixou ao livre arbítrio e responsável de cada um”.

Por outro lado, “existem pontos irrenunciáveis para o comprometimento dos católicos na vida pública. Não é que os católicos possam fazer qualquer tipo de opção, pois existem algumas que contradizem a fé que professam. Nem todas as concepções da vida são equivalentes e têm o mesmo valor. Uma concepção relativista do pluralismo não tem nada a ver com a legítima liberdade dos cidadãos católicos de escolher entre as opções políticas compatíveis com a fé e a lei moral natural, aquela que, segundo o próprio critério, se conforma melhor às exigências do bem comum”.

“Os católicos devem saber reconhecer os pontos imutáveis e compartilhar posições comuns diante de questões sociais que colocam em jogo opções ética fundamentais, ou nos momentos em que o exige o bem supremo da nação, ou diante de conjunturas da vida eclesial que impunha uma indicação de prudência que seja unitária. Eles sabem também como discernir e reconhecer que a própria fé pode levar a compromissos e opções diferentes diante de uma diversidade de circunstâncias e uma pluralidade de interpretações e percursos para a perseguição do bem humano e social”.

É um mau sinal – observou Guzman Carriquiry, “que os católicos que assumem responsabilidades políticas, empresariais e em outros campos da vida pública, não sintam a necessidade e a exigência de encontrar-se, e encontrar-se porque unidos por algo que interessa muito mais radicalmente e totalmente do que os diversos vínculos e escolhas que possam legitimamente adotar nestes âmbitos”. (JE/Terre d'America)

29/09/2017 15:22