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Pe Tom, mais fraco fisicamente, mas com uma força espiritual maravilhosa

Padre Tom está agradecido a Deus por ter cuidado dele, quer continuar a servi-lo e ser dócil à sua vontade - AFP

16/09/2017 16:05

Roma (RV) – Trinta quilos mais magro, enfraquecido fisicamente, mas com uma força espiritual maravilhosa e uma lucidez mental forte. Assim apresentou-se na manhã deste sábado (16/09) para uma coletiva de imprensa no Centro “Salesianum” em Roma o Padre Tom Uzhunnali, sacerdote missionário indiano sequestrado em 4 de março de 2016 no Iêmen e libertado em 12 de setembro.

Na coletiva de imprensa não foram fornecidos maiores detalhes sobre sua libertação, “porque – precisou o Reitor Mor dos salesianos, Padre Angel Artime – não temos conhecimento deles. É certo que a libertação ocorreu por intermédio de um agente humanitário, em comunicação e ligação com o Sultanato de Omã (...) Ninguém nos pediu um euro sequer e nem demos um euro sequer”.

Também foram decisivas as intermediações do governo indiano e o empenho pessoal do Papa Francisco, diz Padre Tom, que fez um longo relato de seu cativeiro, não sem antes de ter dirigido, visivelmente emocionado, uma saudação de fraterna e especial amizade a um grupo de Missionárias da Caridade presentes na sala.

Era justamente ao lado das Irmãs de Madre Teresa que o sacerdote salesiano atuava no Iêmen, prestando serviço de assistência espiritual em Aden, onde em um violento ataque terrorista foram trucidadas quatro das religiosas e outras doze pessoas da estrutura de acolhida onde trabalhavam

“Sempre rezei  por todos – conta Padre Tom – pelo Papa, as irmãs mortas, a família, aqueles que sabia que rezavam por mim, também pelos sequestradores. Nunca fui maltratado – observou – e os sequestradores providenciaram também os remédios que precisava para tratar o diabete. Graças às 230 compressas que tinha à disposição, conseguia contar os dias que passavam”.

Ele pode ter consigo espécies eucarísticas e celebrar a Missa, pois no momento do ataque, os sequestradores haviam retirado o tabernáculo da capela.

Nestes dezoito meses, o sacerdote recorda ter estado em três diferentes localidades, mas diz não ser capaz de reconhecê-las.

A Rádio Vaticano perguntou-lhe quais poderiam ter sido as razões de seu sequestro: “Não saberia dizer, para tentar obter dinheiro, talvez – respondeu. Existem muitos grupos que fazem coisas do gênero por dinheiro. Ou porque sou indiano. Não sei, realmente (...) Estavam vestidos de preto e com o rosto coberto, mas considero que me tenham pego porque era indiano, estrangeiro, ou porque quem sabe alguém poderia se interessar pela minha sorte”, mas acho que eram criminosos comuns.

 “Graças a Deus estou bem! Não me tiraram nem um fio de cabelo. Nos vídeos que divulgaram, eu fingia chorar e ser maltratado, seguindo as indicações que me davam”.

À pergunta se havia sido feito com ele proselitismo islâmico, Padre Tom respondeu “não, nunca!”.

O sacerdote concluiu o encontro com os jornalistas, expressando o desejo de encontrar a Madre Geral das Missionárias, agradecendo a Deus por sempre ter cuidado dele e reafirmando de querer continuar a estar a serviço do Senhor e ser dócil à sua vontade.

Após a Audiência Geral na última quarta-feira, o sacerdote encontrou-se com o Papa Francisco.

Padre Tom vem realizando exames médicos no Vaticano. Se tudo estiver bem, dentro de dez dias deverá retornar para sua Província Salesiana na Índia.

(JE com Agências)

16/09/2017 16:05