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Massacre de índios no Javari é genocídio? Ouça o bispo

A Igreja denuncia e pede maior controle das áreas indígenas - AP

15/09/2017 07:00

Tabatinga (RV) - Em nota divulgada a respeito do possível massacre de indígenas isolados no rio Jandiatuba, no interior da Terra Indígena Vale do Javari, a Diocese do Alto Solimões (AM) manifestou seu "máximo repúdio a este e a todo ato de violência para com nossos irmãos indígenas", denunciando os prejuízos que a mineração vem provocando há anos nesta região. Em 1993, caçadores de ouro invadiram uma reserva indígena em Roraima e mataram 16 Yanomami, na aldeia de Haximu.

A nota, assinada pelo Bispo de Alto Solimões (AM), Dom Adolfo Zon Pereira, lamenta "o patrocínio pelo poder público federal à mineração em detrimento das minorias, especialmente dos Povos Indígenas".

O crime, que seria mais um episódio de violência contra indígenas no Brasil, teria ocorrido há cerca de um mês. Não se sabe qual a etnia dos indígenas mortos, mas, segundo o bispo, podem ser os "flecheiros", dada as descrições e a localização.

Se os números fossem confirmados, seria o extermínio de um quinto de toda a tribo: o massacre seria a maior tragédia contra os povos indígenas em 24 anos. Poderia, a seu ver, ser classificado como ‘genocídio’?

Nós sabemos que são grupos com poucas pessoas, então é ainda mais grave.... Grave é tudo, basta que se mate uma pessoa e já é um ato para se repudiar. Mas estes são povos que ainda não conhecemos... Por enquanto foram contatados 4 grupos! A própria Funai trabalha com hipóteses”.

“Não posso adiantar nada (sobre a investigação), o que posso dizer é que o lugar não é muito acessível. Falando com um padre que trabalhou naquela área, e que agora está aqui em Tabatinga, ele me diz que só para chegar aonde estava o Posto de fiscalização da Funai, que foi desativado em 2014, são 3 dias de barco. O acesso ao lugar não é fácil”. 

Indígenas brasileiros fizeram quarta-feira (13/09) um apelo internacional para evitar maiores matanças após o suposto massacre de indígenas isolados e denunciaram os cortes governamentais que deixaram seus territórios desprotegidos.

Segundo Paulo Marubo, liderança indígena Marubo do Vale do Javari, “outros confrontos ou matanças ainda podem acontecer. O corte ao orçamento da FUNAI afetou diretamente a vida das populações indígenas, principalmente dos mais vulneráveis que são as populações indígenas isoladas.”

Paulo Marubo é coordenador-geral da Univaja, organização indígena que defende os direitos indígenas na Fronteira Isolada Amazônica, área com a maior concentração de tribos isoladas no mundo.

(cm)

15/09/2017 07:00