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Papa Francisco \ Viagens

Missa em Medellín: "A Igreja não é nossa, mas é de Deus"

“Não podemos ser cristãos que levantam continuamente a bandeira de «Passagem Proibida» - REUTERS

09/09/2017 13:59

Medellín (RV) – O terceiro dia do Papa Francisco na Colômbia é dedicado inteiramente a Medellín, considerada a ‘cidade da eterna primavera’ pelo seu clima ameno. É a capital do departamento de Antioquia; desde o século V a.C., aquela área, do Vale de Aburrá, foi habitada por indígenas. A partir do início do século XX, tornou-se o principal centro cultural do país, graças a importantes indústrias de produção têxtil. É ali também que são cultivadas orquídeas, existe uma grande atividade cultural e científica e o reconhecimento de ‘cidade universitária’.

O Papa presidiu a missa no aeroporto Enrique Olaya Herrera, na área metropolitana de Medellín. Cerca de 800 mil pessoas participaram da cerimônia, muitas das quais passaram a noite no local, debaixo de uma fina chuva. Sua homilia começou nspirando-se no tema escolhido para este dia. “A vida cristã como discipulado”.

Francisco indicou três atitudes que devemos plasmar na nossa vida de discípulos:

 A primeira: ir ao essencial.

Isto significa caminhar em profundidade rumo ao que conta e tem valor para a vida. O nosso discipulado deve partir de uma experiência viva de Deus e do seu amor, é aprendizagem permanente através da escuta da sua Palavra:

“E esta Palavra, como ouvimos, impõe-nos cuidar das necessidades concretas dos nossos irmãos: pode ser a fome de quem vive ao nosso lado ou a doença”, explicou.

A segunda palavra: renovar-se.

A renovação não nos deve meter medo, mas implica sacrifício e coragem, não para nos considerarmos melhores ou impecáveis, mas para respondermos melhor à chamada do Senhor:

“E na Colômbia, há tantas situações que reclamam, dos discípulos, o estilo de vida de Jesus, particularmente o amor traduzido em atos de não-violência, de reconciliação e de paz”.

A terceira palavra: envolver-se.

Envolver-se, ainda que para alguns isso pareça sujar-se, manchar-se. Também hoje nos é pedido que cresçamos em ousadia, numa coragem evangélica que brota de saber que são muitos os que têm fome, fome de Deus, fome de dignidade, porque dela foram despojados.

“Não podemos ser cristãos que levantam continuamente a bandeira de «Passagem Proibida», nem considerar que esta parcela é minha, apoderando-me de algo que absolutamente não é meu. A Igreja não é nossa, é de Deus”, completou.

Francisco lembrou que São Pedro Claver, que celebramos hoje na Liturgia, bem compreendeu isto. «Escravo dos negros para sempre»: foi o seu lema de vida, porque compreendeu, como discípulo de Jesus, que não podia ficar indiferente perante o sofrimento dos mais abandonados e ultrajados do seu tempo, mas tinha de fazer algo para o aliviar.

Terminando a reflexão, o Papa exortou a Igreja na Colômbia a comprometer-se, com mais ousadia, na formação de discípulos missionários, como foi indicado pelos Bispos reunidos em Aparecida no ano de 2007:

“Discípulos que saibam ver, julgar e agir, como propunha aquele documento latino-americano que nasceu nestas terras (cf. Medellín, 1968). Discípulos missionários que sabem ver sem miopias hereditárias; que examinam a realidade com os olhos e o coração de Jesus, e julgam a partir daí. E que arriscam, atuam, comprometem-se”.

(cm)

09/09/2017 13:59