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Patriarca Kirill recorda em mensagem os 100 anos do Concílio de Moscou

“Estou profundamente convencido de que o patrimônio necessita de um estudo sério e que um grande número de ideias expressas na época são úteis hoje" - AP

01/09/2017 11:55

Moscou (RV) – Uma “etapa extremamente importante na história da ortodoxia russa”, cujo significado, todavia, “não foi ainda acolhido plenamente e apreciado pela população eclesial”.

É o que escreve o Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kirill, na mensagem enviada ao clero e aos fiéis por ocasião do 100º aniversário - celebrado em 28 de agosto - do início dos trabalhos do Concílio local, que teve lugar entre 1917 e 1918.

“Estou profundamente convencido de que o patrimônio necessita de um estudo sério e que um grande número de ideias expressas na época são úteis hoje”, afirma o Primaz da Igreja Ortodoxa russa, recordando que, atualmente, estão sendo realizados enormes esforços no sentido de difundir os princípios do Concílio, em particular a primeira edição fundamental e científica dos documentos, indispensável para preservar a memória daquele acontecimento.

O Concílio de Moscou teve um longo período de preparação durante o qual foram recolhidas uma série de informações, ao mesmo tempo em que foram consultados arquipastores, teólogos, canonistas e historiadores a respeito das questões fundamentais da vida eclesial.

Alguns anos antes do Concílio foi criado um organismo especial, chamado Comissão pré-conciliar, cujo objetivo era reunir os dados necessários para a correta organização das discussões sobre temas de atualidade.

O legado espiritual daquele organismo é a Comissão Inter-conciliar, que funciona até hoje e conta com a participação também de sacerdotes e leigos.

Os documentos por ela preparados são enviados, para um ulterior exame, ao Sínodo da Assembleia dos Bispos, “triunfo inegável – escreve Kirill na mensagem – do espírito de conciliaridade na vida da ortodoxia russa contemporânea”.

Diversas causas impediram a recepção dos documentos do Concílio de 1917-1918. “O obstáculo mais evidente – escreve Kirill - foi o desencadear da guerra civil que se seguiu aos acontecimentos revolucionários e as perseguições sem precedentes contra a Igreja e os fiéis. Hoje exercemos o nosso ministério em condições históricas totalmente diferentes. Hoje podemos refletir, na oração, sobre o balanço dos atos conciliares, responder à pergunta sobre o porquê de certas decisões - apesar dos múltiplos obstáculos - foram aplicadas e encontraram lugar na vida da Igreja, enquanto outras –observou o Patriarca – não foram adotadas pela consciência eclesial”.

Àquele Concílio, celebrado em Moscou com a participação de todos os componentes eclesiais, a Comunidade ecumênica de Bose dedicou o XI Simpósio Ecumênico Internacional de espiritualidade ortodoxa (seção russa), realizado de 18 a 20 de setembro de 2003.

Foi “um dos mais importante eventos da Igreja Russa no século XX”, afirmou na época o Patriarca de Moscou Alexej II, na mensagem enviada aos participantes.

Verdadeiro “divisor de águas” entre a queda do czarismo e a época das perseguições – lê-se nas atas do encontro – o Concílio de Moscou representa um momento de síntese da tradição, uma fonte de inspiração para as Igrejas na busca de novos caminhos de diálogo e de respostas comuns aos desafios do mundo contemporâneo”.

Um rico debate, ainda incompleto segundo o Patriarca Kirill, útil para uma reflexão teológica a mais vozes sobre a conciliaridade que pode ser vivida hoje nas Igrejas.

(JE – L’Osservatore Romano)

01/09/2017 11:55