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Projeto #NoCaminho, de Pelotas: trabalhar com jovens não tem receita pronta

O plano de ação foi apresentado, em Santa Maria/RS, no I Seminário de Práticas de Evangelização da Juventude - RV

28/08/2017 12:51

Pelotas (RV) – Esta poderia ser a história de Jardel Eberhardt, 24 anos, de Porto Alegre, há um ano trabalhando como comunicador do Setor Juventude da Arquidiocese de Pelotas/RS, visto seu envolvimento com os jovens em diferentes contextos, tanto no Rio Grande do Sul como no Mato Grosso.

Mas essa é apenas uma das faces da juventude gaúcha que, no final de semana, se reuniu em Santa Maria/RS para o I Seminário de Práticas de Evangelização da Juventude, promovido pelo Regional Sul 3 da CNBB. O encontro mobilizou assessores, articuladores e comunicadores do Setor Juventude das dioceses do Estado que analisaram experiências vividas dentro das comunidades e serviram como inspiração para criar metodologias inovadoras de trabalho junto à juventude, em preparação, inclusive, ao próximo Sínodo dos Bispos.

O grupo de Jardel apresentou o plano de ação para este ano intitulado #NoCaminho. O projeto se propõe, assim como os discípulos de Emaús (Lc, 24) “que caminhavam sem esperança e entristecidos pelo caminho”,  a perceber, “no caminho”, os sinais e a presença de Deus se aproximando às realidades vividas em Pelotas. Cada grupo de jovem, então, faz quatro encontros de formação dentro da sua realidade pra depois realizar as práticas missionárias.

Jardel Eberhardt“O primeiro deles é aproximação, como Jesus se aproxima dos discípulos. O segundo encontro é acompanhar, como nós estamos nos deixando acompanhar por Jesus e como que nós acompanhamos aqueles que mais precisam. O terceiro encontro é formar, já que Jesus, a partir da Palavra, forma esses discípulos no caminho, através das passagens bíblicas e da história da salvação, devolvendo a esperança aos discípulos. E o quarto momento é o partir o pão, com a celebração de Jesus da caminhada.”  

Aproximar, acompanhar, formar e partir o pão, os quatro passos da grande prática missionária #NoCaminho, já considerada por Jardel como “uma didática de escuta e de processo, uma dinâmica viva” a ser seguida por outros grupos de jovens de outras dioceses. Em Pelotas, por exemplo, eles já trabalham o projeto dentro de centros sociais, hospitais, asilos, presídios e casas de tratamento terapêutico para dependentes químicos. A prática missionária é importante, segundo Jardel, porque “é uma prática de transformação social” e mostra a diferença que o cristão – e o próprio jovem – faz no mundo.

Jardel EberhardtTrabalhar com juventude não tem receita pronta. É trabalhando, é caminhando que se aprende, é caminhando que se faz o caminho. A juventude ela muda muito rápido. Então, por mais que tu estejas sempre fazendo formação, tu nunca vai estar pronto. E é isso que mais encanta na juventude: é essa incerteza do amanhã, é essa coisa do novo hoje, e amanhã não é mais. A juventude ela muda e se transforma. E o nosso projeto #NoCaminho é isso, uma força viva, não é algo empedrado, é uma coisa que se molda a cada grupo e a cada movimento; que não foi diferente de Jesus, pois não chega impondo uma verdade, mas segue junto no caminho.

A juventude tem essa capacidade de desestabilizar as estruturas. A juventude não obedece uma estrutura rígida, a juventude é movimento, é fluidez, e a juventude expressa melhor essa Igreja em saída, essa juventude que vai em busca da ovelha perdida. E essa Igreja em saída que o Papa Francisco tem pedido, a juventude em todo o mundo tem ouvido e, aqui em Pelotas, não é diferente.

O Papa Francisco, se a gente pode dizer assim, é o grande culpado por tudo isso, por essa juventude voltar a se encantar, que se une, se articula, movimenta e partilha seus sonhos e utopias. Essa juventude que voltou a acreditar em si própria, que está tão conturbada com essa realidade no Brasil, mas, em vez de ficar assustada em casa, está se unindo pra mostrar o que a juventude tem feito para melhorar a sociedade.”  

Ouça reportagem especial de Andressa Collet aqui: 

28/08/2017 12:51