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Dom Paglia: Romero, testemunho que marcou a história da Igreja

"Quiseram matá-lo para fazê-lo calar. Romero, com o sacrifício da vida, continua hoje a falar” - EPA

11/08/2017 13:30

Cidade do Vaticano (RV) – O Postulador da Causa de Canonização de Dom Óscar Romero, Dom Vincenzo Paglia, celebrará este sábado (12/08) na Catedral de São Jorge de Southwark, em Londres, uma Missa por ocasião do centenário de nascimento do Arcebispo salvadorenho, em 15 de agosto de 1917.

Dom Romero foi assassinado em 1980 por  um membro dos esquadrões da morte - ativos na época da guerra civil salvadorenha - enquanto celebrava a Missa na capela do Hospital da Divina Providência, em San Salvador. A Cruz de Romero conservada na Catedral inglesa contém relíquias do Beato.

Outra iniciativa importante no mesmo âmbito será a celebração ecumênica das Vésperas na Catedral de Westminster em 23 de setembro, na presença de representantes de todas as Igrejas cristãs da Inglaterra.

Dom Paglia falou à Rádio Vaticano sobre a importância em recordar a memória do Beato Romero:

“Recordá-lo é importante porque é um dos testemunhos que marcou a história da Igreja, a partir do Vaticano II. Não por acaso em 24 de março, dia de seu martírio, celebram-se os mártires de toda a Igreja contemporânea – os novos mártires – e além disso, as próprias Nações Unidas elegeram este dia como dia de memória da liberdade da própria fé, do testemunho das próprias convicções”.

RV: Não se deve esquecer que ainda existem resistências, mesmo na casa de Dom Romero, em El Salvador, em relação à sua memória...

“As resistências, infelizmente, não são somente em casa, mas também fora, e perto de nós muitas vezes. A resistência nascia do fato que, como escreve o Concílio Vaticano II, como a Igreja latino-americana imediatamente após o Concílio Vaticano II havia afirmado: o Evangelho não é indiferente, o Evangelho não é uma devoção, o Evangelho transforma o mundo. E Romero havia compreendido que, para mudar o mundo, era necessário partir, como escreve o Evangelho, do amor pelos pobres. Muitos pensaram que esta escolha pelos pobres era uma escolha política, ditada quem sabe por uma análise marxista, etc. Mas não é assim: a escolha de amar os pobres para mudar o mundo é a mesma que fez Jesus. Esta escolha Romero fez sua, e muitos se opuseram, até matá-lo. Se opuseram aqueles que, mesmo  cristãos, eram porém ditadores, aqueles que queriam subjugar os mais pobres, explorá-los e violentá-los. Romero escolheu, pelo contrário, esta Igreja. E eis porque existe um grande consenso sobre ele. Quiseram matá-lo para fazê-lo calar. Romero, com o sacrifício da vida, continua hoje a falar”.

RV: A escolha feita por Dom Romero, como disse o Papa Francisco, o levou também a um martírio post mortem...

“Sim, o Papa Francisco pronunciou estas palavras diante dos bispos de El Salvador e de uma peregrinação de salvadorenhos, vindos para agradecê-lo pela beatificação de Romero. E o Papa Francisco disse estas palavras com uma força que eu não esqueço. É a oposição que ainda hoje muitos, ou alguns, querem fazer à mesma mensagem do Papa Francisco: o Evangelho não deixa o mundo assim como é, o Evangelho não deixa os crentes como se nada houvesse. O Evangelho pede para se fazer escolhas, para estar do lado dos pobres, dos sofredores, de dar a vida por isto, eis porque o Papa Francisco, sublinhando também a oposição post mortem a Romero, no fundo continua a dizer aquilo que já Jesus tantas vezes havia dito: “Se a mim perseguiram, perseguirão também a vós”. E eis porque não devemos render-nos ou retroceder, mas devemos continuar a olhar Romero como um grande exemplo de crente, de novo mártir deste tempo. Como se pode ser cristãos, olhar Romero e depois ser indiferente àqueles que morrem no Mediterrâneo, ou levantar barreiras e muros, ou virar as costas diante dos conflitos”.

RV: Dom Paglia, em que ponto está o processo de canonização?

“Eu acredito que estejamos em um bom ponto. Estamos examinando um milagre que diz respeito a uma mulher grávida e o seu filho que foram, esperemos, milagrosamente curados por intercessão de Dom Romero. Foi concluído o processo diocesano que foi enviado a Roma e iniciamos o exame do milagre. Faço votos de que o processo termine logo. Se tudo isto acontecer, é possível que se possa esperar para o próximo ano a celebração da canonização de Romero”.

(JE/FS)

 

11/08/2017 13:30