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Rede católica para migrantes: Venezuela, uma diáspora sem precedentes

CELAM - Conselho Episcopal Latino-Americano - RV

04/08/2017 17:52

Bogotá (RV) - “Uma gravíssima situação que atenta contra a vida e a dignidade das pessoas obrigou milhares de venezuelanos a deixar o próprio país, numa diáspora sem precedentes.” Essa é, substancialmente, a declaração da Rede latino-americana e do Caribe de migração, refugiados, e tráfico de pessoas (Clamor) diante da crise humanitária vivida na Venezuela.

A rede católica, sob a égide do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), expressa solidariedade ao povo venezuelano que sofre “a penúria de alimentos e medicamentos, o colapso dos serviços públicos, a inflação mais alta do mundo, a violência desenfreada e as graves violações dos direitos humanos” que deixou um rastro de mais de uma centena de mortos.

Três milhões de venezuelanos emigraram em três anos

Segundo o relatório da Fundação “Asylium Access” apresentado à Comissão Interamericana dos direitos humanos, o número da população migrante venezuelana, nos últimos três anos, alcançou dois milhões e meio de pessoas. Nessa cifra não se incluem os imigrados com dupla nacionalidade – cerca de meio milhão – que chegaram sobretudo a algumas nações europeias como Espanha, Itália e Portugal.

Também o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) identificou um incremento de 228% dos pedidos de asilo dos venezuelanos nos últimos cinco anos, no mundo inteiro. “De uma terra de acolhimento tornou-se uma terra de partida”, lê-se na declaração.

Clandestinos vítimas da indigência e do tráfico de pessoas

A referida Rede latino-americana e do Caribe denuncia que em muitos países de trânsito ou de recepção os venezuelanos são vítimas do tráfico de pessoas, da exploração sexual e do trabalho porque desprovidos de documentos.

“É cada vez mais comum ver nas ruas indigentes ou vendedores ambulantes venezuelanos.” Nesse contexto, a organização católica apoia as medidas implementadas pelos governos do Brasil, Chile, Peru e, ultimamente, também da Colômbia que favorecem a integração no trabalho dos migrantes venezuelanos.

Apesar disso, muitos governos da região ainda não previram políticas públicas de acolhimento voltadas para enfrentar a gravidade da crise humanitária na Venezuela.

Milhares às portas dos países sul-americanos e centro-americanos

As estatísticas dizem respeito também à imigração de venezuelanos no âmbito do continente latino-americano. No primeiro trimestre de 2015 entraram na Colômbia cerca de 9 mil 550 trabalhadores sazonais, cinco mil a mais em relação a 2014.

No mesmo período entraram na Argentina mais de 2 mil e 700 venezuelanos, com um aumento de 61% em relação a 2014. No Chile foram concedidos mais de 10 mil vistos a venezuelanos estudantes, trabalhadores com contrato ou sazonais.

Na América Central o Serviço nacional de migrações do Panamá recebeu cerca de 2 mil e 500 pedidos de residência permanente. Uma realidade muito próxima também para os venezuelanos emigrados para a Costa Rica.

Por fim, no norte do Brasil, mais precisamente em Boa Vista, somente no primeiro semestre deste ano a polícia federal recebeu cerca de 8 mil pedidos de asilo. A cifra quadruplicou, considerando que em 2016 foram feitos pouco mais de dois mil pedidos de asilo.

Não à indiferença dos governos e dos povos

Por fim, a supracitada Rede latino-americana e do Caribe faz um forte apelo aos governos e às pessoas de boa vontade a darem uma resposta humana, justa e fraterna e a não ser indiferentes diante do sofrimento de tantos venezuelanos que foram obrigados a deixar tudo.

A declaração da rede católica reitera o compromisso da Igreja em acompanhar e ouvir “o grito do povo sofredor da Venezuela” e em promover a cultura do encontro e da misericórdia.

“Rezamos a fim de que a crise humanitária que atinge a Venezuela seja superada e para que essa nação fraterna possa percorrer o caminho da paz fruto da justiça social, o caminho da liberdade e do desenvolvimento humano integral.” (RL/AT)

04/08/2017 17:52