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Legião de Honra à religiosa libanesa por trabalho no campo educativo e inter-religioso

Esta abertura ao outro, às diferenças, vem da própria educação, visto ter vivido no seio de uma família de oito filhos, muito praticante - REUTERS

22/07/2017 15:42

Paris (RV) – Após ter sido condecorada duas vezes no passado com a Palma Acadêmica, em 14 de julho foi a vez de ser nomeada Cavaleira da Legião de Honra, única responsável religiosa a receber este prestigioso reconhecimento.

Trata-se da Irmã Mariam na-Nour (no século Antoinette Awit), de 66 anos, religiosa libanesa, há quase 20 anos dirigindo o Collège Carmel Saint-Joseph de Mechref, ao sul de Beirute, instituto francófono reconhecido no Líbano e não só, pelo espírito de abertura e promoção do diálogo inter-religioso.

A honorificência a ela atribuída é um reconhecimento pelos quarenta e quatro anos de ensino no colégio – começou no ano escolar 1973-1974, recém formada em filosofia -, mas sobretudo pelas iniciativas concretas que leva em frente diariamente, que vão desde cerimônias islâmico-cristãs para celebrar a Anunciação até a partilha do Iftar com os estudantes de todas as confissões durante o Ramadã, passando pelas sessões de reflexão e análise com os docentes sobre questões religiosas e até um coral.

No Instituto católico no Líbano promove “uma forma de laicidade construída em cima de valores que ligam profundamente os homens entre eles”, declara a religiosa ao “La Croix”, que dedicou a ela a edição de 19 de julho.

O Collège Carmel Saint-Joseph recebe a cada ano 765 alunos de todas as confissões religiosas, independente do estrato social ou da orientação política.

Esta abertura ao outro, às diferenças, vem da própria educação, visto ter vivido no seio de uma família de oito filhos, muito praticante, sem falar em seu envolvimento com o escotismo quando jovem.

Daqui, a sensação de ser “conquistada pela palavra de Cristo, o único que não pode mentir aos homens”.

Em 1975 torna-se postulante, data que coincide com o início da guerra civil libanesa, durante a qual pronunciará, em 1983, os votos solenes.

“Nos anos do conflito – conta ela – mantivemos abertas as portas de nosso instituto, trabalhamos sob as bombas, mas sempre nos deixamos animar pela nossa paixão pela reconciliação”.

Quando, em 1998, a Congregação pediu a ela para assumir o colégio, Ir Mariam, junto a outras sete religiosas da comunidade libanesa e a 125 leigos do grupo de ensino, viu-se diante de múltiplas problemáticas ligadas aos conflitos de religião. Porém, estava profundamente convencida de que “a nossa instituição tem um papel fundamental a desempenhar na aproximação entre muçulmanos e cristãos”.

A Legião de Honra é uma condecoração honorífica francesa. Foi instituída em 20 de maio de 1802 por Napoleão Bonaparte e recompensa os méritos eminentes militares ou civis à nação.

(JE – L’Osservatore Romano)

22/07/2017 15:42