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Sudão do Sul: 'o vergonhoso fracasso da cooperação internacional'

Campo da Cruz Vermelha em Wau, Sudão do Sul - AFP

06/07/2017 09:20

Juba (RV) – O mundo vive nestes anos a maior onda migratória da história recente. Existe um lugar onde a crise aumenta em um ritmo mais rápido que em outros: é o Sudão do Sul e, especificamente, a região de Equatoria.

Famílias morrem a machadadas e queimadas em suas casas; mulheres e crianças são vítimas de estupro coletivo: esse é o cenário emerso em um relatório elaborado por várias ONGs operativas no campo, publicado quarta-feira (05/07).

O conflito no Sudão do Sul causa e causou atrocidades, terror e fome, além de ter forçado em um ano centenas de pessoas a abandonarem a região. Equatoria, considerada no passado como o ‘celeiro’ do país pela fertilidade de suas terras, é hoje um campo de morte.

Agentes humanitários (em particular de Anistia Internacional) visitaram a região em junho e documentaram violações e crimes de guerra contra civis cometidos pelas foças da oposição, mas também por tropas do governo. Acuadas por tanta violência, quase um milhão de pessoas fugiram para Uganda, país vizinho. Segundo o relatório, a carência de recursos faz com que muitos deles não estejam recebendo serviços básicos, como alimento, água e abrigo. Pelo menos 86% são mulheres e crianças.

Donatella Rovera, consultora de Anistia Internacional, recém-chegada, relata: “Casas, escolas, postos de saúde, agências humanitárias; tudo foi saqueado e destruído. A comida é usada como arma de guerra e as atrocidades continuam acontecendo. Centenas de milhares de pessoas que um ano atrás se sentiam protegidas do conflito, hoje estão fugindo dele”. 

Muthoni Wanyeki, diretor da Anistia Internacional para a África Oriental, Chifre da África e Grandes Lagos, afirma que:

“Os doadores, incluindo os EUA, os países da UE, o Canadá, a China e o Japão, devem intensificar o apoio a Uganda, assegurando o financiamento oportuno das necessidades imediatas e de longo prazo dos refugiados. Esses refugiados não devem se tornar as vítimas fatais de um fracasso coletivo e vergonhoso da cooperação internacional”.

(CM)

06/07/2017 09:20