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Migração: 3 mil são menores não-acompanhados, alerta governo da Itália

Os dados são de 2016 do Sistema de Proteção para Requerentes de Asilo e Refugiados - ANSA

03/07/2017 07:05

Roma - Em anos de crise econômica, política e de aumento de fluxos migratórios na Itália, mas também de preconceito e medos em relação a esse fenômeno, os processos locais de integração são fundamentais para diminuir movimentos de discriminação e tensão social.

Pesquisa recente feita pelo Sistema de Proteção para Requerentes de Asilo e Refugiados da Itália (SPRAR), do Ministério do Interior, confirma que mais de 34 mil migrantes se beneficiaram dos projetos da instituição no ano de 2016. Desse total, cerca de 3 mil são menores não-acompanhados. Uma cifra importante, porque tem aumentado em relação aos anos anteriores. Esses menores que chegam na Itália são provenientes, sobretudo, da africana Gâmbia.

Os dados divulgados há uma semana também apontam as regiões da Sicília e do Lazio, onde fica a capital romana, como os principais destinos desses migrantes. O Sistema de Proteção local acolheu mais de 19% dos inseridos na rede. A maioria desse grande grupo chega da Nigéria, da Gâmbia, do Paquistão, de Mali, do Afeganistão e do Senegal.

A resistência ao acolhimento dos migrantes, sobretudo dos menores, acaba sendo forte, mesmo com a atuação de redes como a do Sistema de Proteção do governo da Itália. A responsável geral, Daniela di Capua, confirma que elas existem principalmente em nível nacional e por duas razões fundamentais:

Daniela di Capua - “De um lado porque a informação que é dada ainda é muito dirigida aos aspectos negativos, isto é, sobre a ‘invasão’; sobre estrangeiros; sobre suspeitas de possíveis coincidências entre estrangeiros e terrorismo; sobre possíveis, e diria fortíssimos, equívocos sobre o estrangeiro que vem aqui e leva consigo um trabalho; sobre a má informação ligada ao fato de que se gasta dinheiro para acolher os estrangeiros e, menos, para os italianos. Todas são não-verdades que ganham vida, sobretudo quando se está em crise tanto socialmente, como economicamente.”

A outra motivação de resistência aos migrantes refere-se aos limites do país em acolher esse grande fenômeno da rota mediterrânea que, só nos últimos dias de junho e em poucas 48 horas, 12 mil migrantes desembarcaram nas costas italianas. O risco na gestão desses migrantes fez com que o presidente da Itália, Sergio Mattarella, compartilhasse a preocupação do Primeiro-Ministro italiano, Paolo Gentiloni, ao pressionar a União Europeia para uma maior participação de Bruxelas à emergência que pode sair do controle.

Daniela di Capua“A acolhida foi obviamente necessária para responder ao aumento dos fluxos. Mas, essas estruturas temporâneas, ativadas através de prefeituras em todo o território nacional, frequentemente têm se demonstrado com grandes limites, sobretudo por serem grandes concentrações numéricas em pequenas cidades ou em territórios com poucos habitantes”.

Daniela di Capua acrescenta ainda como é importante a presença de redes de apoio como a do governo da Itália, através de esforços de criatividade, determinação em realizar iniciativas de sensibilização e informação que, depois, “têm um impacto de 360 graus nas comunidades locais, sobre os estrangeiros, sobre a verdadeira integração percebida como ‘interação’ entre as partes”.

A Cidade do Sol para os migrantes de Roma

O Centro de Acolhimento “Cidade do Sol”, em Fiumicino, cidade próxima a Roma, administrada pela entidade voluntária Onlus Virtus, é outro exemplo de integração ao hospedar 50 requerentes de asilo – mesmo tendo sofrido uma resistência da comunidade um ano atrás. Além de homens e mulheres, o grupo é também formado por famílias e quatro bebês. O responsável pela estrutura, Fabrizio Nikzad, conta como a convivência pode ser positiva:

Fabrizio Nikzad - “Estreitamos muitas relações, boas e positivas, com as associações, as realidades religiosas, a comunidade de Santo Egídio, as associações esportivas e de teatro. Começamos uma série de colaborações e, aos poucos, fizemos nada mais que restaurar a normalidade, isto é, aquela que deveria ser simplesmente a vida quotidiana, normal de cada dia, em que há integração, tranquilidade e convivência civil.” (AC)

03/07/2017 07:05