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Crônica: Lavar os pés, o caminho espiritual que vem das Arábias

Crônica: Lavar os pés, o caminho espiritual que vem das Arábias - AP

01/07/2017 07:00

Dubai (RV*) - Com alegria e sentimentos de fraternidade envio-lhes uma saudação das escaldantes areias das Arábias.

Tanto a Bíblia como o Alcorão foram escritos por orientais que integraram neles o modo de viver e os costumes do Oriente Médio, diferentes das culturas ocidentais. Os personagens que aparecem nos escritos sagrados do Cristianismo e Islã têm em comum o uso de sandálias; consistiam num pedaço de couro do tamanho do pé com tiras de couro que passavam entre o dedo grande e o segundo dedo, amarradas no tornozelo. Dessa maneira, os pés eram mantidos livres e arejados, mas não os protegia da poeira e da sujeira.

Entre os povos das Arábias, ser hospitaleiro era uma honra. Por isso, beduínos e aldeões esmeravam-se na acolhida dos visitantes. Estes, ao chegar, tinham o cuidado de deixar as sandálias fora da casa, como forma preventiva de doenças provindas das estradas. Os anfitriões, além de disponibilizar água, convocavam um escravo para lavar os pés do visitante. De fato, este era considerado trabalho inferior e humilhante, trabalho para escravo.

Cristo, Filho de Deus, inverteu o espírito de lavar os pés. Foi Ele quem fez o trabalho do escravo. Depois de lavar os pés dos discípulos, perguntou: “Vocês compreenderam o que acabei de fazer? Vocês dizem que eu sou o Mestre e o Senhor. E vocês têm razão; eu sou mesmo. Pois bem: eu, que sou o Mestre e o Senhor lavei os seus pés; por isso vocês devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei um exemplo: vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz”. (13.12-15). 

As sandálias em contato com o solo arenoso expressavam pecado.  Por isso, ao entrar em lugar sagrado, elas eram tiradas (Ex. 3:5). Os cristãos da Índia, ainda hoje, tiram o calçado quando vão orar na capela da adoração.

Também os seguidores do Islã fazem as abluções rituais antes de entrar nas mesquitas. Com essa ação expressam a “tahara”, pureza, que no linguajar árabe significa estar livre da sujeira, espiritual e física.

No cristianismo além do sentido religioso de limpeza do pecado, a água é também símbolo de vida em Cristo.

Jesus disse à mulher samaritana: “quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna”. (Jo 4,14)

*Missionário Pe. Olmes Milani CS, das Arábias para a Rádio Vaticano

01/07/2017 07:00