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Papa Francisco e os migrantes: caridade tem limite?

Papa abraça criança refugiada na Sala Paulo VI - AFP

16/05/2017 03:00

Cidade do Vaticano (RV) – Na reforma da Cúria indicada pelo Papa Francisco, a seção dedicada aos migrantes e refugiados ganhou um impulso especial. O novo site foi apresentado recentemente e está disponível também em português.

Dois sacerdotes, Pe. Michael Czerny e Pe. Fabio Baggio, respondem diretamente ao Pontífice. Com reuniões mensais, eles são encarregados de apresentar ao Papa relatórios, consultorias, atividades desempenhadas e, em troca, recebem sugestões e indicações de caminhos a seguir.

Um dos eventos que atualmente mais preocupam Francisco é a Conferência das Nações Unidas sobre migrações, programada para o final de 2018. A Santa Sé está se preparando desde já para apresentar pontos a serem tratados e, sobretudo, a serem incluídos no documento final.

A caridade tem limite?

Em viagens, audiências com líderes políticos, homilias, o Pontífice não perde ocasião de chamar à atenção mundial o drama de milhares de migrantes – drama que ele define como a pior tragédia desde a II Guerra Mundial. Recentemente, antes de partir ou regressar ao Vaticano, tem saudado inteiras famílias que passaram por esta experiência. Francisco insiste no dever de acolhimento e responsabilidade. E aí fica a pergunta: a caridade tem limite?

Quem responde é justamente o scalabriniano Pe. Fabio Baggio, colaborador direto de Francisco desde os tempos em que era Arcebispo de Buenos Aires...

Obviamente o Papa é livre de se expressar como queira e estou perfeitamente convencido, trabalhando com ele, que o Espírito Santo o está assistindo de modo muito eficaz e efetivo. E posso dizer também que está muito inspirado quando dirige mensagens e quando se permite destacar algumas realidades que são verdadeiramente problemáticas. O nosso grande problema como católicos é: qual o limite da caridade? Onde acaba o amor que nós devemos doar aos outros? Se fizermos considerações políticas, considerações da real politik, chegaremos a conclusões que ‘não podemos estar abertos a todos’, ‘devemos estar atentos’, ‘a segurança nacional’...

Mas falando de Igreja Católica, os confins nacionais são para nós muito tênues, no sentido de que a Igreja é universal e todo irmão e irmã que vem bater à nossa porta é um irmão e uma irmã. Além disso, temos um compromisso muito forte, que nos vem diretamente do Evangelho, que diz: era estrangeiro e me acolhestes. Não diz quantos eram, quantos bateram, quantos chegaram....

Se o Papa se permite insistir no chamamento evangélico de Jesus Cristo, eu penso que vale a pena para os católicos insistir neste impulso especial do amor de Deus que nos leva rumo ao outro. Aos outros, em todo caso, o Santo Padre recorda que temos um dever de solidariedade, que vai muito além daquilo que é considerado como dever: temos responsabilidades em relação ao mundo e refiro-me ao que é definido como “norte global”, isto é, aqueles países com mais recursos econômicos e financeiros, seja por razões geográficas ou históricas. Nesses países, deve nascer uma maior responsabilidade de compartilha, pois como destaca o Papa, este acolhimento é somente um momento de solidariedade, enquanto é preciso encontrar a solução para aqueles problemas que geram esses fluxos migratórios que, de fato, podem se tornar difíceis de administrar. Certamente não é espontâneo abrir a porta de nossa casa para qualquer um, mas é um esforço que devemos fazer. Se conseguirmos resolver a causa negativa que obriga as pessoas a migrar, garantiremos o direito a não ter que migrar, que é tão importante quando o direito a migrar.

16/05/2017 03:00