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Especiais \ Missão Continental

Dez anos de Aparecida, uma Igreja de discípulos missionários

Um dos momentos da Conferência de Aparecida: ao centro, o então Cardeal Bergoglio, ao lado do Cardeal Hummes

15/05/2017 07:00

Cidade do Vaticano (RV) - Amigo ouvinte, a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe – da qual nasceu a “Missão Continental” – está completando dez anos. Realizada de 13 a 31 de maio de 2007 em Aparecida, São Paulo, a Conferência de Aparecida teve sua abertura feita pelo Papa Bento XVI, cuja viagem apostólica foi também marcada pela canonização do Frei Galvão e a memorável visita à Fazenda da Esperança.

Momento particularmente importante para uma renovação e revitalização na caminhada da Igreja nesta porção da América, Aparecida colocou-se no sulco das conferências gerais que a precederam no “Continente da Esperança: Rio de Janeiro (1955), Medellín (1968), Puebla (1979) e Santo Domingo (1992).

Tendo como tema “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nossos povos nele tenham vida – eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6), um dos compromissos centrais de Aparecida foi despertar a consciência discipular dos cristãos, resgatar a dimensão missionária da Igreja e convocar para uma Missão em todo o Continente, almejando que que todo batizado recupere esta sua consciência de que nós todos – como discípulos de Jesus – devemos ser seus missionários.

Para recordar os dez anos de Aparecida vamos retomar um breve trecho do discurso da sessão inaugural dos trabalhos desta V Conferência, no qual Bento XVI a coloca em continuidade com as outras Conferências, e cujas palavras ressoam de grande atualidade também no que tange à realidade da América Latina, passada uma década do memorável discurso:

Continuidade com as outras Conferências

“Esta V Conferência Geral celebra-se em continuidade com as outras quatro que a precederam no Rio de Janeiro, Medellín, Puebla e Santo Domingo. Com o mesmo espírito que as animou, os Pastores querem dar agora um renovado impulso à evangelização, a fim de que estes povos continuem a crescer e a amadurecer na sua fé, para ser luz do mundo e testemunhas de Jesus Cristo com a sua própria vida.

Depois da IV Conferência Geral, em Santo Domingo, muitas coisas mudaram na sociedade. A Igreja, que participa nas alegrias e esperanças, nas penas e nos júbilos dos seus filhos, quer caminhar ao seu lado neste período de tantos desafios, para lhes infundir sempre esperança e consolação (cf. Gaudium et spes, 1).

No mundo de hoje verifica-se o fenômeno da globalização como um entrelaçamento de relações a nível planetário. Embora sob certos aspectos seja uma conquista da grande família humana e um sinal da sua profunda aspiração à unidade, contudo comporta também o risco dos grandes monopólios e de converter o lucro em valor supremo. Como em todos os campos da atividade humana, a globalização deve reger-se também na ética, colocando tudo a serviço da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus.

Na América Latina e no Caribe, assim como em outras regiões, caminhou-se rumo à democracia, embora haja motivos de preocupação diante de formas de governo autoritárias ou sujeitas a certas ideologias que se julgavam ultrapassadas, e que não correspondem à visão cristã do homem e da sociedade, como nos ensina a Doutrina Social da Igreja. Por outro lado, a economia liberal de alguns países latino-americanos deve ter presente a equidade, pois continuam a aumentar os setores sociais que se veem provados cada vez mais por uma pobreza enorme ou mesmo despojados dos seus próprios bens naturais.

Nas Comunidades eclesiais da América Latina é notável a maturidade na fé de muitos leigos e leigas ativos e dedicados ao Senhor, além da presença de muitos catequistas abnegados, de muitos jovens, de novos movimentos eclesiais e de recentes Institutos de vida consagrada. Demonstram-se muitas obras católicas educativas, assistenciais e hospitalares. Observa-se, contudo, uma certa debilitação da vida cristã no conjunto da sociedade e da própria pertença à Igreja Católica devido ao secularismo, hedonismo, indiferentismo e proselitismo de numerosas seitas, de religiões animistas e de novas expressões pseudo-religiosas.

Tudo isto configura uma situação nova que será analisada aqui, em Aparecida. Diante da nova encruzilhada, os fiéis esperam desta V Conferência uma renovação e revitalização da sua fé em Cristo, nosso único Mestre e Salvador, que nos revelou a experiência singular do Amor infinito de Deus Pai aos homens. Desta fonte poderão nascer novos caminhos e programas pastorais criativos, que infundam uma esperança firme para viver de maneira responsável e alegre a fé e para irradiá-la assim no próprio ambiente.”

Amigo ouvinte, por hoje é só. Semana que vem tem mais, se Deus quiser!

(RL)

15/05/2017 07:00