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Venezuela: celebrações invadidas e repressão violenta

Governo Maduro reprime com violência protestos diários da população que pede democracia e eleições - REUTERS

15/04/2017 18:44

Caracas (RV) – A comunidade internacional, liderada pela Organização dos Estados Americanos (OEA), aguarda uma resposta clara do governo venezuelano, no sentido de encontrar os mecanismos democráticos necessários para responder às exigências da população que, há duas semanas, realiza manifestações diárias me todo o país.

Até agora, a repressão violenta dos protestos provocou a morte de cinco jovens, cerca de cem feridos e mais de 250 pessoas foram feridas. A população exige eleições livres, o respeito pelo poder legislativo representado pela Assembleia Legislativa, a tutela dos direitos humanos, a libertação dos prisioneiros políticos e a abertura de um canal humanitário para suprir a falta de alimento e de remédios.

“O problema é a ruptura do fio condutor democrático”

O Presidente da Conferência Episcopal Venezuelana, Dom Diego Padrón – entrevistado pela Agência SIR – explicou que o problema fundamental é a “ruptura do fio condutor democrático constitucional” por parte do próprio governo e da Corte Suprema de Justiça.

“Foi considerado – prossegue o prelado – como um golpe de Estado Judiciário, que leva à concentração de todos os poderes nas mãos do Executivo, aliado a uma forte repressão contra toda forma de manifestação e dissidência”.

“A Igreja – reiterou Dom Padrón – continuará o acompanhamento da população por um protesto pacífico e não violento, não obstante as intimidações”.

“Pressão internacional e apoio à população”.

O Arcebispo de Cumaná indicou o caminho de uma maior “pressão internacional e apoio à população”. De fato, o prelado considera que a pressão externa esteja em sintonia com a resistência interna e com a postura interna de rejeição desta modalidade de governo.

O Presidente do Episcopado venezuelano afirmou, todavia, que o governo de Maduro tem os meios para manter-se no poder. “Tem muito dinheiro, todos os Poderes nas mãos – incluído o Judiciário – e pode contar com uma parte da população armada, os chamados “colectivos” e seus militares”.

Neste sentido, Dom padrón é da opinião que o governo não tem intenções de abrir a opção eleitoral e não existem condições para abrir uma nova mesa de negociações como a tentativa apoiada pela Santa Sé, fracassada alguns meses mais tarde.

Semana da “paixão” também para os fiéis

As igrejas não foram poupadas da violência e da polarização social atravessada pelo país. Nos últimos dias, militantes governamentais do Partido Socialista Unido da Venezuela escreveram ameaças de morte contra sacerdotes nas paredes de algumas igrejas no Estado de Táchira.

Grupos violentos simpatizantes do governo entraram na Igreja gritando slogans políticos, blasfemando e provocando brigas.

Foi assim na quarta-feira na Basílica de Santa Teresa, durante a celebração de Jesus Nazareno, presidida pelo Arcebispo de Caracas, Cardeal Jorge Urosa, que teve de retirar-se do local de culto, escoltado por fiéis e sacerdotes.

Minutos antes, durante a homilia, o purpurado havia manifestado a rejeição à “violência política” e exortado o governo a “parar com a repressão das manifestações e evitar os excessos dos corpos de segurança do Estado”.

“Devemos – havia dito na homilia – reencontrar o respeito e a convivência e concentrar-nos nos mandamento, na Constituição Nacional”. (JE)

15/04/2017 18:44