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Dom B. Bahlman: "A espera na esperança, no coração da Amazônia"

Bispo franciscano celebra Páscoa com moradores de Faro, onde não há padres - RV

15/04/2017 08:00

Cidade do Vaticano (RV) – Neste Sábado Santo, o Programa Brasileiro vai até Óbidos, no estado do Pará. Para chegar lá, a partir da capital, Belém, é preciso percorrer 1.100 km por via fluvial. Com seus 50 mil habitantes, Óbidos fica na margem esquerda do Rio Amazonas. E o bispo deste povoado, há 8 anos, é o alemão Dom Frei Bernardo Bahlman. Este ano, o bispo celebra os dias do Tríduo Pascal em Faro, município que teve origem na aldeia dos índios Jamundás e que se encontra além da Floresta Nacional de Saracá-Taquera. A comunidade não tem um padre. Antes de partir para Faro, Dom Bernardo conversou conosco.

Depois do sofrimento de Jesus, o silêncio do Sábado, na esperança do vigor de uma nova Páscoa. Ouça: 

“O Sábado Santo, entre Sexta-feira Santa e o Domingo da Ressurreição, é o dia do grande silêncio, o silêncio da espera e ao mesmo tempo, o silêncio da esperança. Para o nosso povo aqui, de nossa região, o Sábado em que temos esta esperança tem a perspectiva de uma melhoria na situação aqui em nossa região”.

“São situações por vezes um tanto quanto difíceis por causa do abandono que sentimos e percebemos e que se concretiza também através dos governos, federal e estaduais. Então, é todo o contexto que temos aqui. As pessoas, através de sua fé, e na fé na própria Igreja Católica, que muitas vezes assume desafios que a princípio seriam do Estado, colocam aqui uma esperança muito grande”.

“Ao mesmo tempo, conseguimos várias conquistas, seja na área da saúde, ou também na educação, ou também nas questões sociais, como com os quilombolas, indígenas ou os próprios agricultores e nas pessoas que de alguma maneira sofrem, a Igreja sempre dá este sinal de que a situação amanhã poderá ser melhor. É uma confiança que faz com que as pessoas se sintam mais motivadas. O importante não é simplesmente fazer por fazer, mas é dar uma motivação para que as próprias pessoas tomem a iniciativa. Seja a sociedade de modo geral, ou uma pessoa individual, ou o próprio governo, que se sintam mais motivados a trabalhar. Penso que hoje é muito importante trabalhar em conjunto, e vamos nos dar as mãos”.

O Sábado Santo é um dia tão próprio, que nos fala através do silêncio, muito mais ainda do próprio Deus, porque Deus fala através do silêncio. Muitas vezes achamos que precisamos dizer muitas palavras, mas Deus se manifesta no silêncio no momento em que parece que não está presente e através destes sinais Deus se torna muito mais presente. O Sábado Santo é também sempre uma passagem para algo novo, depois de muito sofrimento, da própria morte. Tudo silencia e de repente Jesus ressuscita. Nós podemos celebrar desta maneira, com novo vigor, a Páscoa”. 

(CM)

15/04/2017 08:00