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Semana da Paixão é vivida há 6 anos pelos sírios, diz Cardeal Zenari

"Todas estas crianças, me vejo a refletir como cristão, são aquelas mais associadas à Paixão do Senhor. É um sofrimento que já dura seis anos" - ANSA

06/04/2017 17:26

Damasco (RV) - As imagens de Khan Sheikhun, a área da Síria atingida por um ataque químico na segunda-feira mostrando crianças e adultos estendidos no chão, chocaram o mundo e levaram o Papa Francisco a levantar mais uma vez a voz para condenar a violência na Síria.

O fato foi denunciado pela oposição síria, com o Observatório Nacional para os direitos humanos. As forças russas e de Damasco negaram qualquer envolvimento no episódio. O enviado da ONU ao país,  Staffan de Mistura, classificou como "horrível" o ocorrido.

O Conselho de Segurança da ONU foi convocado com urgência. Estados Unidos, França e Reino Unido apresentaram um projeto de resolução que condena um ataque e pede uma investigação rápida e completa. Moscou definiu o documento como "inaceitável". Na área do ataque, no entanto, permanece o choque e a dor profunda, como testemunha aos microfones da Rádio Vaticano o Núncio Apostólico em Damasco, o Cardeal Mario Zenari:

"Caberá à comunidade internacional tentar ver com clareza como se desenvolveram os fatos e as responsabilidades, o que aconteceu. Certamente, o que se constata é que são os pobres civis e, entre estes, também um certo elevado número de crianças a pagar as consequências desta terrível guerra e do que aconteceu na segunda-feira, deste gás tóxico que atingiu a pobre população daquele povoado".

RV: Ver as imagens de adultos e crianças mortos no esforço de tentar continuar respirando, o que pode provocar em quem vive em meio a esta guerra já há seis anos?

"Estamos próximos à Páscoa, à Semana da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo: assim me vem de pensar na exalação do último espiro de Jesus na Cruz. Jesus, neste último respiro tinha presentes também, acredito, todas estas terríveis exalações de respiros, sobretudo destas pessoas inocentes. Ele, que era um inocente. Todas estas crianças, me vejo a refletir como cristão, são aquelas mais associadas à Paixão do Senhor. É um sofrimento que já dura seis anos. Dentro de poucos dias entraremos no mistério da Páscoa, da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor: esta gente há mais de seis anos está vivendo a Semana da Paixão, está vivendo a Sexta-feira Santa, sobretudo a população civil. Inúmeros foram os apelos da comunidade internacional, do Santo Padre Francisco, para que seja poupada da terrível consequência do conflito, em primeiro lugar a população civil. Já vimos muitas vítimas civis! Um dos principais fundamentos do direito humanitário internacional, nos casos de guerra, é a proteção dos civis: aqui se vê que tal proteção não é observada".

RV: O Papa lançou um apelo às consciências daqueles que têm responsabilidades políticas em nível local e internacional. A quem é dirigido este apelo? E neste momento, qual é o papel da comunidade internacional?

"Antes de tudo, a quem tem a obrigação de proteger os civis aqui, na Síria, as autoridades. Acredito que o Papa apele àqueles que têm responsabilidades, sobretudo para que os civis sejam poupados desta guerra. A proteção deles é uma das principais tarefas das autoridades nestes casos de guerra civil. E da mesma forma uma tarefa muito séria para a comunidade internacional: não se pode aceitar a morte contínua de pessoas inocentes, entre as quais, muitas crianças". (AG/JE)

06/04/2017 17:26