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Dom Audo: conflitos de interesse impedem avaliação precisa dos acontecimentos

Hospital bombardeado em Khan Sheikhun, centro dominado pelos rebeldes anti-Assad - AFP

06/04/2017 17:14

Aleppo (RV) - "Nesta situação assim fragmentada, com tantos interesses e protagonistas em jogo, é difícil poder estar 100% certos de como estão as coisas. Mas pelo que sabemos com base em nossa experiência, não consigo imaginar que o governo sírio seja assim tão imprudente e ignorante a ponto de cometer erros assim colossal".

Esta foi uma das primeiras considerações que o Bispo sírio Antoine Audo - à frente da Diocese caldeia de Aleppo - compartilhou com a Agência Fides, a respeito do bombardeio com armas químicas realizado na Província síria de Idlib, em mãos das milícias anti-Assad, algumas ligadas à Al-Qaeda. O ataque provocou a morte de dezenas de pessoas, incluindo muitas crianças.

Dom Audo, responsável pela Caritas síria, admite que os cenários do conflito sírio parecem muitas vezes enigmáticos e manipulados por propagandas conflitantes entre si: "em outras passagens delicadas da guerra - explica -  episódios envolvendo o uso de armas químicas tiveram um impacto desestabilizador em todo o contexto do conflito. Há três dias, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado que Assad fazia parte da solução do problema sírio. Agora dá declarações afirmando o contrário".

"Existem interesses das forças regionais implicadas na guerra, advertiu o prelado. Convém sempre levar em consideração este fato - pondera -  sobretudo quando certas coisas se repetem com dinâmicas muito semelhantes, e desencadeiam as mesmas reações e os mesmos efeitos já observados no passado".

Em 21 de agosto de 2013, verificou-se um ataque químico em Gutha, subúrbio de Damasco em mãos das forças anti-Assad. O ataque ocorreu depois que o então Presidente Barack Obama, cerca de um ano antes, havia indicado o uso de armas químicas como a "linha vermelha" que separa de uma possível intervenção armada na Síria.

Governo sírio e milícias anti-Assad sempre acusaram-se mutuamente sobre a responsabilidade pelo ataque.

Por iniciativa russa, aquela fase que beirava uma crise internacional - marcada pela iminência de uma intervenção militar contra Assad comandada pelos Estados Unidos - foi resolvida com a adesão da Síria à Convenção sobre Armas Químicas, e com a sucessiva destruição do arsenal químico sírio, ocorrida sob a supervisão da ONU. (JE/FIDES)

06/04/2017 17:14