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São Paulo sediará Exarcado Armênio da América Latina

Cidade de São Paulo - AP

31/03/2017 10:35

São Paulo (RV) - Os católicos de rito armênio que vivem na cidade de São Paulo estão em festa. Em uma missa que será celebrada neste domingo, 2 de abril, ocorrerá a oficialização da Catedral São Gregório Iluminador, no bairro da Luz, como sede do Exarcado Apostólico Armênio da América Latina. A celebração será presidida por Dom Vartan Waldir Boghossian, Exarca apostólico armênio, e contará com a presença do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo.

A Igreja Católica é constituída pela comunhão de 24 igrejas de diferentes ritos, sendo uma igreja ocidental, a Católica Apostólica Romana, de rito latino, e 23 igrejas chamadas de sui iuris, de rito oriental. Essas igrejas orientais, nascidas em diferentes épocas, mantêm vivas as tradições e ritos litúrgicos dos povos orientais e permanecem unidas ao papa.

Nas igrejas orientais, o exarcado é equivalente ao que na igreja ocidental é chamado de prelazia, isto é, uma diocese em formação.

Rito

A liturgia dos armênios tem um rito próprio, utilizado tanto pela Igreja Católica Armênia como pela Igreja Apostólica Armênia.

O rito foi modelado a partir das diretrizes de São Gregório, fundador e padroeiro da Igreja Armênia. A ordem da celebração da Eucaristia foi inicialmente influenciada pelos siríacos e pelos cristãos da Capadócia. Em seguida, a partir do século V, pela liturgia de São Tiago; após o século X, pelos bizantinos; e, finalmente, pelos latinos nas Cruzadas. Os armênios são a única igreja oriental que utiliza o vinho sem adição de água e, como os ocidentais, usam pão sem fermento para a Eucaristia.

Desafios

Como se trata de uma Igreja destinada aos fiéis de um determinado rito, independentemente da existência de uma paróquia ou igreja própria no local, onde houver um fiel católico armênio no vasto território do Exarcado, o bispo armênio e seus sacerdotes têm a responsabilidade pastoral de atendê-lo. “Por exemplo, se um fiel armênio vai se casar no interior do estado, o processo matrimonial deve ser feito junto à paróquia armênia, aqui da cidade de São Paulo. A celebração do sacramento pode ser feita em uma igreja local, mas celebrada por um sacerdote armênio”, explicou o Padre Antonio Francisco Lelo, sacerdote do Exarcado.

Dom Vartan ressaltou à reportagem que é um constante desafio atender pastoralmente as comunidades armênias católicas espalhadas em grandes cidades. “As novas gerações de armênios já não possuem os intensos sentimentos armênios de seus pais e avós. Mesmo com relação à fé, muitos dos que a vivem participam da paróquia latina mais perto de sua residência. Em toda América Latina, temos somente uma escola armênia católica. Torna-se difícil manter a identidade de um povo sem transmitir-lhe a cultura própria”, disse.

Cultura viva

O Exarcado também conta com dois padres seculares, um padre religioso e um padre do Caminho Neocatecumenal.  

Padre Antonio destacou ao O SÃO PAULO que a presença das Igrejas de rito oriental no Ocidente ajuda a manter viva não somente a fé, mas a cultura dos povos que vivem na diáspora, isto é, fora de sua nação. “O sentido de nação é muito forte nos armênios, uma vez que foi uma nação perseguida, que sofreu um genocídio, e foi dispersada”, afirmou, recordando o massacre de 1,5 milhão de armênios por parte dos turcos-otomanos, em 1915, considerado o primeiro genocídio do século XX.

“Esse povo tem uma história milenar, uma língua, uma tradição que se cristalizou, se consolidou no modo de ser armênio. Isso nos chama a atenção enquanto brasileiros, porque a nossa história é recente em relação a deles, o nosso horizonte de formação étnica é caracterizado pela mistura de povos.  Os armênios, ao contrário, têm uma fisionomia, um rosto”, acrescentou o Sacerdote.

Memorial

Após à missa da oficialização da sede, haverá a inauguração da fachada da Catedral. “Na nova e artística parede da entrada, a Cruz e algumas letras armênias cinzeladas no metal indicam justamente os dois pilares da identidade armênia: a fé e a cultura”.

Também será abençoado o Memorial do Genocídio Armênio. “O memorial contém uma imponente e artística Cruz de Pedra, trazida da Armênia. Abriga ainda uma relíquia de mártires armênios do genocídio, trazida do deserto da Síria, onde ocorreu a morte de milhares de fiéis”, relatou Dom Vartan.

A celebração solene será às 11h do dia 2, na Catedral Armênia Católica São Gregório Iluminador (avenida Tiradentes, 718, Luz). Informações pelo telefone (11) 3227-6703.

Os cristãos armênios

A Armênia foi a primeira nação a adotar o Cristianismo como religião oficial, em 301. Um século depois, os armênios se separaram da Igreja Católica, por não aceitarem as definições do Concílio de Calcedônia, em 401, tornando-se a Igreja Apostólica Armênia.

Em 1742, um grupo de armênios se uniu novamente ao papa, dando origem à Igreja Católica Armênia, que, desde 1749, tem sua sede em Bzoummar, no Líbano. O patriarca dos católicos armênios é Gregório Pedro XX Gabroyan, responsável por cerca de 540 mil fiéis.

O Exarcado Apostólico da América Latina foi criado em 1981 por São João Paulo II, com sede em Buenos Aires, na Argentina, tendo Dom Vartan como primeiro bispo. Em 1989, a Argentina se tornou uma Eparquia (diocese) à parte, separando-se do restante da América Latina, mas tendo também Dom Vartan como bispo.

Com a criação da nova Eparquia, o Exarcado ficou sem uma sede própria. Mas a paróquia brasileira se tornou um local de referência, embora não oficialmente. “Para sanar essa situação irregular, solicitei à Sé Apostólica que a sede do Exarcado fosse, então, estabelecida no Brasil, que congrega a maior comunidade armênia católica do Exarcado”, explicou Dom Vartan.

Em 22 de novembro de 2016, o prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri, emitiu um decreto constituindo a sede do Exarcado na capital paulista.

O Exarcado Armênio possui comunidades no México, Venezuela, Brasil, Uruguai e Chile. Estima-se que na América Latina haja 30 mil fiéis católicos armênios, sendo 16 mil na eparquia argentina e os 14 mil restantes no Exarcado Apostólico da América Latina. Destes, 7 mil vivem no Brasil, concentrados especialmente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. (SP-O São Paulo)

 

 

31/03/2017 10:35