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Seminário reúne agentes e população de rua para debater direito à moradia

Morador de rua em São Paulo - REUTERS

16/03/2017 10:16

Belo Horizonte (RV) - A situação do povo da rua em todo o Brasil e sua luta por moradia foi tema do Seminário Nacional promovido pela Pastoral Nacional do Povo da Rua, no último dia 10 de março, na Cidade de Belo Horizonte (MG).

O evento reuniu representantes da Pastoral do Povo da Rua de todo o país, além de representantes do Ministério da Justiça e Cidadania, Ministério das Cidades, universidades e organizações de Direitos Humanos.

O evento contou com dois painéis: o primeiro, na parte da manhã, com o tema “Não estou na rua porque quero: povo da rua e o direito à cidade”. O segundo painel abordou o tema “A casa em primeiro lugar”. À noite, foi  realizada uma mesa-redonda com o tema “Chega de omissão. Queremos habitação”.

O seminário integra as ações da campanha lançada em maio de 2015 para reivindicar moradia definitiva para as pessoas que vivem na rua. A campanha pretende ainda sensibilizar a sociedade brasileira e o poder público para a necessidade de que a população em situação de rua seja contemplada em programas de habitação, entendendo a moradia como um direito de todos e todas.

Segundo Cristina Bove, coordenadora nacional da pastoral, é importante fortalecer e estimular a missão dos agentes de pastoral, articular as equipes locais para a vivência da mística, intercâmbio de experiência e o fortalecimento da metodologia:

“O seminário é um momento de partilha onde trabalhamos as questões ligadas à cidadania e a dignidade das pessoas em situação de rua. A campanha por moradia digna quer chamar a atenção de toda a sociedade para a necessidade de garantir um direito humano fundamental para uma parcela da população que sofre com a invisibilidade social” - afirmou.

Calcula-se que cerca de 60 mil pessoas vivam, atualmente, nas ruas dos centros urbanos brasileiros. São pessoas que possuem um histórico de perdas de casa, de família, de trabalho, que não estão nas ruas porque querem ou por opção pessoal. Entretanto, quando se pensa em programas de moradia digna, essas pessoas quase nunca são consideradas.

A Pastoral do Povo da Rua avalia que as ações do poder público voltadas para com a população em situação de rua comumente criminaliza e reprime essas pessoas por meio de programas higienistas, que afastam a pobreza dos grandes centros urbanos, além de culpabilizar essa parcela por morar nas ruas.

Uma das soluções apontadas pela pastoral e pelos movimentos de defesa dos direitos da população em situação de rua é o rompimento com o caráter provisório representado pelos albergues e abrigos, em direção à construção de programas de moradia com segurança, infraestrutura urbana consolidada e serviços públicos acessíveis, tais como o transporte coletivo e o ambiente saudável.

A Pastoral do Povo da Rua tem como missão ser presença junto ao povo da rua, reconhecer os sinais de Deus presentes na sua história e desenvolver ações que transformem a situação de exclusão em projetos de vida para todos. Ente as inúmeras atividades da Pastoral do Povo da Rua está à abordagem, as visitas as comunidades e a participação nas decisões políticas, o incentivo da criação da Pastoral nas dioceses, a visibilidade às questões referentes à população de rua e denunciar ações violentas e discriminatórias.

16/03/2017 10:16