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Santa Sé: massacre inútil na Síria, comunidade internacional responsável

"As crianças pagam o preço mais alto da guerra", disse Dom Jurkovič - AP

15/03/2017 12:24

Genebra (RV) - O Observador Permanente da Santa Sé na ONU, em Genebra, na Suíça, Dom Ivan Jurkovič, fez um forte apelo de paz pela Síria, nesta terça-feira (14/03), durante a 34ª sessão do Conselho das Nações Unidas para os Direitos Humanos. 

O arcebispo falou de uma “situação desastrosa”: Seis anos de violência provocaram milhares de mortos e feridos. Destruíram infraestruturas, casas, escolas, hospitais e lugares de culto. Cidades inteiras foram devastadas. Desnutrição e assistência médica inadequadas. “Esta é a realidade triste que o povo sírio enfrenta a cada dia”, sublinhou. 

“A Santa Sé reitera a sua solidariedade ao povo sírio, sobretudo com as vítimas da violência, e encoraja a comunidade internacional a abraçar a perspectiva das vítimas. Seis anos de massacre inútil mostram mais uma vez a ilusão e a futilidade da guerra como meio para resolver as controvérsias. A ambição pelo poder político, os interesses egoístas e a cumplicidade dos que fomentam a violência e o ódio, com a venda de armas, provocaram um êxodo de 5 milhões de pessoas da Síria desde 2011, deixando para trás 13 milhões e quinhentas mil pessoas cuja metade é criança.”

“Diante desses números, o diálogo em todos os níveis, é o único caminho que temos”, disse Dom Jurkovič, reconhecendo os pequenos passos feitos recentemente nesta direção, mas reiterando com veemência “que a situação da Síria não pode ser resolvida com uma solução militar. Não devemos ceder à lógica da violência, pois a violência gera somente violência”.

O representante da Santa Sé falou sobre as crianças: “É inaceitável que paguem o preço mais alto. Algumas delas não conhecem outra realidade a não ser a guerra. Outras nasceram debaixo de bombardeios e sofrem pressões psicológicas enormes. Raramente, aparece um sorriso em seus rostos. O sofrimento se manifesta em seus olhos espantados. Acordam com os sons de explosões, de bombas e mísseis.”

“O Papa Francisco manifestou várias vezes sua proximidade ao povo sírio, sobretudo às crianças afetadas por este conflito brutal, privadas da alegria da infância e adolescência, como também da possibilidade de brincar e ir à escola”, disse ainda Dom Jurkovič.

“A Santa Sé faz um novo apelo para que a paz, o perdão e a reconciliação possam triunfar sobre a violência e o ressentimento. Seis anos de conflito mostram a falência da comunidade internacional. A situação na Síria é nossa responsabilidade comum como família de nações. Os direitos do povo sírio, independentemente da identidade religiosa ou étnica, devem ser tutelados a fim de que todos os sírios partilhem as aspirações pela justiça e paz, elementos fundamentais para o desenvolvimento humano integral. A este propósito, é muito importante que as minorias religiosas e étnicas não se tornem pedras de um jogo geopolítico, mas sejam plenamente envolvidas num processo negociável transparente e inclusivo, com direitos e responsabilidades iguais, pois essa é a única maneira para construir um futuro de paz.”

“A dignidade inerente a toda pessoa humana deve ter precedência sobre o poder e vingança. O sofrimento injusto das vítimas inocentes desse massacre sem sentido deveria motivar todas as partes envolvidas a se comprometer com o diálogo sério e a trabalhar pelo futuro de paz e justiça”, concluiu o arcebispo.

(MJ)

15/03/2017 12:24