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CF 2017 e a Gaudium et Spes

"Cultivar e guardar a criação não se trata apenas de questões ecológicas, mas de um olhar integral sobre a vida humana, sobre o presente e o futuro que esperamos ter" - AP

15/03/2017 08:00

Cidade do Vaticano (RV) - No nosso espaço Memória Histórica - 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a falar No programa de hoje sobre a relação entre a Constituição Gaudium et Spes e a Campanha da Fraternidade 2017.

A Constituição Gaudium et Spes influenciou a pastoral e a reflexão teológica atual. Como cristãos, somos chamados a anunciar a Boa Nova do Evangelho na sociedade atual, com todos os seus progressos e contradições, comprometendo-nos também no campo da justiça e da paz. A defesa de nossa "casa comum" não pode ser reduzida a uma mera questão "ecológica", mas adquire um significado mais amplo, visto tratar-se de um chamado a preservar a vida como um todo.

Na edição de hoje deste nosso espaço, Padre Gerson Schmidt nos faz uma reflexão sobre os documentos que fundamentam a Campanha da Fraternidade 2017. Vamos ouvir:

"A Constituição Pastoral Gaudium et Spes, no número 02, aponta uma declaração importante que nos inspira na temática da CF 2017, que nesse ano, aponta a necessidade do cuidado com a criação de Deus, os biomas – as reservas ambientais brasileiras. Diz assim o documento: (A Igreja) Tem, portanto, diante dos olhos o mundo dos homens, ou seja a inteira família humana, com todas as realidades no meio das quais vive; esse mundo que é teatro da história da humanidade, marcado pelo seu engenho, pelas suas derrotas e vitórias; mundo, que os cristãos acreditam ser criado e conservado pelo amor do Criador; caído, sem dúvida, sob a escravidão do pecado, mas libertado pela cruz e ressurreição de Cristo, vencedor do poder do maligno; mundo, finalmente, destinado, segundo o desígnio de Deus, a ser transformado e alcançar a própria realização (GS,2).

Nós cristãos acreditamos que o mundo é obra e conservação do amor do Criador e Pai, que governa e sustenta o mundo que criou. Cabe a cada um de nós preservá-lo e participar assim da construção de um mundo novo. Sob a inspiração da Encíclica Laudato Si do Papa Francisco, podemos amadurecer nossa compreensão de que cultivar e guardar a criação não se trata apenas de questões ecológicas, mas de um olhar integral sobre a vida humana, sobre o presente e o futuro que esperamos ter. O Papa Francisco, nessa Encíclica, faz uma intrigante pergunta: “Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer?” (Laudato Si, 160).

Outro documento que fundamenta o texto base da Campanha da Fraternidade 2017 é a Encíclica Caritas in Veritate (Caridade na verdade), do Papa emérito Bento XVI. “O amor — caritas — é uma força extraordinária, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz. É uma força que tem a sua origem em Deus, amor eterno e verdade absoluta” (Caritas in Veritate,1). A promoção da CF 2017 pode nos fazer crescer nas virtudes da fé, esperança e caridade para darmos uma resposta abundante e fecunda ao mundo de hoje.

Da defesa da ecologia, está sobretudo centrado a defesa do ser humano, dentro do conjunto da obra criada. Não defendermos simplesmente os ovos das tartarugas nos seus ninhos, mas sobretudo o feto humano no útero da mãe dizendo não ao aborto.

Nessa perspectiva, quero lembrar aqui uma declaração de Bento XVI por ocasião das felicitações natalinas à Cúria Romana, no dia 22 de dezembro de 2008.

O Papa Bento XVI falou de uma ecologia do homem e contra a ideologia do gênero que destrói a criação:

“A Igreja deve defender não só a terra, a água e o ar como dons da criação pertencentes a todos. Também deve proteger o homem da destruição de si próprio. É necessário que haja algo como uma ecologia do homem, entendida no sentido justo. Não é uma metafísica superada, se a Igreja falar da natureza do ser humano como homem e mulher e pedir que esta ordem da criação seja respeitada. Trata-se aqui do fato da fé no Criador e da escuta da linguagem da criação, cujo desprezo seria uma autodestruição do homem e, portanto, uma destruição da própria obra de Deus”.

A ideologia do gênero fere a obra de Deus criador, que ao criar o ser humano, criou-os homem e mulher. Dois gêneros somente. Nada mais".

 

15/03/2017 08:00