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Um dia histórico: anglicanos celebram Vésperas na Basílica de São Pedro

Celebração recordou o Papa Gregório Magno, considerado o Patrono do caminho ecumênico entre católicos e anglicanos - RV

14/03/2017 12:52

Cidade do Vaticano (RV) - "As divergências não podem nos impedir de reconhecer-nos reciprocamente irmãos e irmãs em Cristo". Os cinquenta anos de diálogo entre a Igreja Católica e a Igreja Anglicana foram comemorados com a celebração das Vésperas na Basílica de São Pedro, presididas pelo Arcebispo anglicano David Moxon (Diretor do Centro Anglicano de Roma), acompanhado pelo Coral do Merton College de Oxford. 

A homilia esteve a cargo do Secretário da Congregação para o Culto Divino, Arcebispo Artur Roche, que destacou as importantes maneiras pelas quais o Papa São Gregório, servo dos servos de Deus, pode guiar as relações entre as duas Confissões.

A celebração assume dimensões históricas, pois,  pela primeira vez, anglicanos celebraram suas Vésperas na Basílica de São Pedro, precisamente no dia em que se comemorava o quarto aniversário de Pontificado de Francisco.

Um acontecimento "particularmente significativo para as boas relações entre a Igreja Católica e a Comunhão anglicana", na conclusão dos festejos pelos 50 anos de restabelecimento do diálogo, quando em 23 de março de 1966 Paulo VI encontrou o Arcebispo anglicano Michael Ramsey.

São Gregório Magno

De fato, a celebração foi realizada em homenagem a São Gregório Magno no dia mais próximo de seu antigo dia de festa. São Gregório foi o Papa que enviou Santo Agostinho à Inglaterra para evangelizar os anglo-saxões e que acabou tornando-se o Patrono não-oficial dos mais recentes intercâmbios ecumênicos entre a Igreja Anglicana e Católica Romana. Sua férula foi enviada a Cantuária como um gesto de apoio ao Encontro de Primazes realizado em janeiro de 2016. E o Papa Francisco presenteou o Arcebispo Justin Welby com um báculo entalhado em madeira, durante encontro em outubro, no Vaticano.

Músicas

As músicas foram cuidadosamente escolhidas para refletir esta ocasião histórica. A celebração foi intercalada por motetes escritos por William Byrd (c.1539 / 40-1623), um católico romano que trabalhou para a Igreja da Inglaterra, inicialmente como organista da Catedral de Lincoln e, em 1572, quando retornou para Londres, na Capela Real. A celebração foi aberta com o “Prevent us, O Lord”, palavras do Livro da Oração Comum e concluída com Justorum animae, que vem do católico romano 'Proprio para a Festa dos Santos', publicado no Gradualia 1605.

O último hino, durante o qual a procissão fez o seu caminho para o túmulo de São Gregório, foi o grande  "A tua mão, ó Deus, tem guiado". O último verso resume muito do sentimento que marcou a celebração em São Pedro, com anglicanos e católicos louvando a Deus juntos, de uma maneira que poucos poderiam pensar fosse possível até um ano atrás:

"Tua misericórdia não nos faltará, nem deixe seu trabalho desfeito; com a tua mão direita para nos ajudar, a vitória será ganha; e então, por homens e anjos, teu nome será adorado, e este será o seu hino, uma Igreja, uma fé, um Senhor"

Francisco e Justin Welby

No contexto destas celebrações, recorda-se que em 5 de outubro de 2016, o Papa Francisco e o Primaz da Igreja Anglicana, Justin Welby, celebraram lado a lado as Vésperas na Igreja romana dos Santos André e Gregório.

"As divergências mencionadas não podem nos impedir de nos reconhecermos reciprocamente irmãos e irmãs em Cristo em razão do nosso comum Batismo. Também nunca deveríamos abster-nos de descobrir e de alegrarmo-nos na profunda fé cristã e na santidade que encontramos nas tradições dos outros. Estas divergências não devem levar-nos a diminuir os nossos esforços ecumênicos”, escreveram o Papa e o Arcebispo de Cantuária na Declaração Comum assinada na ocasião. "O mundo deve nos ver testemunhar, no nosso trabalhar juntos, esta fé comum em Jesus".

Já em 26 de fevereiro, Francisco tornou-se o primeiro Pontífice a entrar na Igreja anglicana de Todos os Santos, centro de Roma. Na ocasião o Papa abençoou um ícone de Jesus e explicou:  "Católicos e anglicanos, somos humildemente agradecidos porque, depois de séculos de recíproca desconfiança, somos agora capazes de reconhecer que a fecunda graça de Cristo atua também nos outros. Agradeçamos o Senhor porque entre os cristãos cresceu o desejo de uma maior proximidade, que se manifesta no rezar juntos e no testemunho comum ao Evangelho, sobretudo por meio das várias formas de serviço. Às vezes, o progresso no caminho rumo à plena comunhão, pode parecer lento e incerto, mas hoje podemos nos encorajar por este nosso encontro". (JE)

 

14/03/2017 12:52