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Gaudium et Spes e a criação

Também somos chamados a cuidar e contemplar a beleza da criação - AP

08/03/2017 08:30

Cidade do Vaticano (RV) - No nosso espaço Memória Histórica - 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a tratar dos documentos conciliares, voltando a falar na edição de hoje da Constituição Pastoral Gaudium et Spes.

A Constituição Gaudium et Spes provocou uma mudança de perspectiva da Igreja. "Reencontrar o mundo contemporâneo, não para dominá-lo, mas para anunciar a ele a Boa Nova de Jesus Cristo", é a proposta do documento que influenciou o plano pastoral e a reflexão teológica de hoje.

Neste contexto, insere-se o cuidado com a criação onde está mergulhado o homem, a mais bela obra feita pelas mãos do Criador. Na esteira de Francisco - que desde o início do pontificado exorta os cristãos e pessoas de boa-vontade a cuidar de nossa "casa comum" - a CNBB escolheu como tema da Campanha da Fraternidade 2017, o cuidado com os biomas brasileiros.

Na reflexão de nosso programa de hoje, Padre Gerson Schmidt nos fala da ligação entre Gaudium et Spes e a Campanha da Fraternidade:

"A Constituição Pastoral Gaudium et Spes leva a marca do Concílio Vaticano II tal como imaginou João XXIII: a pastoral voltada à inserção da Igreja no mundo atual, promovendo seu aggiornamento, palavra italiana que significa “renovação”, para que assim a Igreja volte a ser significativa na vida da pessoa humana contemporânea, levando o Evangelho ao homem concreto no mundo atual. A Igreja precisa ser uma resposta para o mundo, não centrada simplesmente sobre si mesma, enclausurada em seus muros. O Papa Francisco nos aponta atualmente a necessidade ainda maior de uma Igreja “em saída”.

Paulo VI também o afirmava, ao ver o documento provocar a reintrodução da Igreja na sociedade contemporânea. A partir daí, “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem”, passaram a ser, mais do que nunca, “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (GS 1). Tudo o que é verdadeiramente humano “ressoa no coração” dos discípulos, no coração da Igreja. Duas primeiras constatações a serem feitas.

A primeira é que a Igreja reencontra seu caminho de ação, ao reencontrar-se com a humanidade atual. Afinal, a comunidade eclesial é constituída por seres humanos, e suas preocupações são também as preocupações da Igreja. A segunda é que a Igreja se vê como discípula de Cristo e, tal como ele, enviada em primeiro lugar aos últimos do mundo, “os pobres e todos os que sofrem”.

Estes são, por assim dizer, os destinatários primeiros da mensagem e da ação da Igreja. Importante dizer o quanto a Gaudium et Spes influenciou a mudança de perspectiva da Igreja do Concílio até hoje. Essa influência se percebe no plano pastoral, mas também no plano teológico. Muito do que temos na riqueza da reflexão teológica de hoje se deve à Gaudium et Spes e sua proposta de reencontrar o mundo contemporâneo, não para dominá-lo, mas para anunciar-lhe a boa-nova de Jesus Cristo, levando o Evangelho em todas as criaturas e a todas estruturas.

Nesse contexto, fazemos aqui uma ponte com a Quaresma e o tema da CF desse ano que tem como tema os biomas brasileiros, nossas reservas ambientais. Digamos imediatamente que não se trata simplesmente de reservar a ecologia, mas dentra dela o ser humano, a obra mais preciosa da criação de Deus. Ao mergulharmos neste intenso tempo de jejum, esmola, oração e conversão, somos convidados a crescer na experiência da admiração, contemplação e cultivo da obra criada por Deus.

Aderindo à CF, a cada ano, podemos tornar o nosso itinerário quaresmal mais concreto, trazendo para nossa vida nesse ano o cuidado com as pessoas e com o mundo em que vivemos. Não somente numa atitude intimista, mas fraterna, conjunta. Comprometer autoridades públicas na responsabilidade com o meio ambiente. Cada um de nós, à medida que se envolve no cuidado com as questões ambientais, naturalmente percebe que este caminho precisa ser abraçado por todos, inclusive na esfera das políticas públicas. Comprometer as autoridades nesta causa pode ser uma excelente resposta de caridade à humanidade e ao planeta". 

08/03/2017 08:30