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Migrações: "Leis para a acolhida e não apenas para a repressão"

Migrante no Mar Mediterrâneo - EPA

21/02/2017 02:00

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu na manhã desta terça-feira (21/02) os participantes do Fórum 'Paz e Migrações', evento organizado pelo Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, o Scalabrini International Migration Network (SIMN) e a Fundação Konrad Adenauer.

O scalabriniano Alexandre Biolchi é vigário regional da Congregação, representando 7 países: Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Peru, num total de 160 padres e 30 estudantes. Ele é também o coordenador das Rede Scalabriniana de Comunicação e participa do Fórum Migrações e Paz. Ele participa do Fórum e estava presente na audiência com o Pontífice, no Vaticano. Ouça a entrevista na integra, clicando aqui:

"O tema da migração não é um tema exclusivamente da segurança nacional, como muitos países hoje o veêm tratando, mas sim um tema que será abordado desde as políticas públicas. Como religiosos, como Congregações, como Igreja, nós sempre defendemos o direito à migração, o direito a migrar".

"A Declaração Universal dos Direitos Humanos fala disso, que todas as pessoas têm direito a se locomover, mas não fala que têm o direito da acolhida. E é isso, justamente, que os Fóruns, os eventos que a Rede SIMN e a Congregação Scalabriniana tentam abordar: não só o direito de ir, mas também o direito de ser acolhido, de ser integrado e poder viver com dignidade como Filhos e Filhas de Deus que somos todos os seres humanos".

"O Brasil sempre teve uma história muito ligada à migração, primeiro como receptor, e agora, nestes últimos anos, de fato, voltando a receber muitos migrantes. Podemos dizer que nos últimos dois anos, a migração africana e a haitiana, que é muito forte nos últimos 5/6 anos, passam pelo Brasil para ir a novas rotas, outros lugares... a migração haitiana está indo para o Chile".

"O grande desafio que temos como Igreja e como Congregação Scalabriniana é poder ajduar a sociedade civil a entender que os migrantes não são aqueles que vêm tirar o trabalho dos brasileiros, mas vêm com o seu jeito e com sua força de trabalho contribuir e com isso, ganhar o sustento para sua família. O desafio é ajudar os políticos do nosso país para que possam elaborar leis que vão ao encontro das necessidades dos migrantes. Não só leis de repressão, mas leis de acolhida, para que se viva e se veja a questão migratória como uma questão de política pública. Neste sentido, o Brasil tem dado alguns passos: a aprovação da nova lei de migração; e todo o trabalho de base, que é sempre um desafio: a acolhida, o acompanhamento jurídico-legal... Nós temos algumas casas de acolhida aos migrantes... Sentimo-nos pequenos diante das necessidades".

(CM)

21/02/2017 02:00