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Bispos dos EUA a Trump: respeitar acordo de Paris sobre clima

Os pobres são os que mais sofrem os efeitos das mudanças climáticas - EPA

20/02/2017 14:20

Nova Iorque (RV) - “A tradição judaico-cristã sempre entendeu o ambiente como um dom de Deus. Por isso, somos todos chamados a proteger a nossa casa comum.”

Seguindo este princípio, a Comissão Justiça e Desenvolvimento Humano da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, junto com o presidente da Catholic Relief Services (Crs), pediram ao Presidente estadunidense, Donald Trump, para honrar os compromissos do país em prol da tutela e salvaguarda da Criação, no âmbito nacional e mundial.

“Queremos reafirmar a importância da liderança dos Estados Unidos e o compromisso com o acordo de Paris”, lê-se na carta endereçada ao Governo estadunidense, assinada pelo Bispo da Diocese de Venice, Flórida, Dom Frank Dewane, pelo Bispo de  Las Cruces, Novo México, Dom Oscar Cantú, e pelo presidente da Catholic Relief Services, Sean Callahan. 

O documento recorda que, em 2015, a Conferência Episcopal dos Estados Unidos afirmou que o financiamento dos programas de adaptação e redução dos efeitos das mudanças climáticas incluídos no acordo de Paris é urgente, especialmente se for assumida a responsabilidade comum do fenômeno do aquecimento global. “Os bispos e a Catholic Relief Services sublinham a importância de agir dentro do país para limitar as emissões de carbônio e contribuir, deste modo, a mitigar as consequências do aquecimento climático sobre as populações mais vulneráveis. “O acordo de Paris é um passo fundamental para os dois objetivos”, lê-se no texto.

Na carta, a Comissão Episcopal para o Desenvolvimento Humano e a Catholic Relief Services manifestaram a preocupação da Igreja pelo grande desafio que a comunidade global enfrenta hoje para fornecer não somente energia sustentável, eficiente e limpa, mas também segura, acessível e equitativa. “Isso vai exigir criatividade, investimento e esforço”, lê-se no texto que recorda “os grandes progressos realizados por cientistas e engenheiros eminentes, junto com institutos de pesquisa e empresas na produção de energia limpa e preços acessíveis”. Os bispos acrescentam: “Através do investimento em infraestruturas e tecnologias nos Estados Unidos, o Governo tem a oportunidade única de alcançar a segurança energética e afirmar a própria liderança global no crescimento de um setor energético sustentável”. 

Os prelados estadunidenses recordam os princípios da Encíclica Laudato si, na qual o Papa Francisco rejeita toda concepção restrita e polêmica da mudança climática. Não se excluem as causas devidas a fenômenos naturais, mas se reconhece que o aquecimento global nas últimas décadas se deve também à grande concentração do efeito estufa causado principalmente pela atividade humana. Em sintonia com o pensamento do Pontífice, os bispos recordam a importância de implementar políticas que permitam a adaptação das populações, especialmente as mais pobres e vulneráveis, e que amenizem os efeitos das mudanças climáticas, independentemente das causas. “Os pobres e as populações mais vulneráveis sofrem de modo desproporcional os efeitos de furacões, inundações, seca, fome e falta de água”. 

“Este é um momento de incertezas e oportunidades significativas para a nossa nação e para o mundo”, concluem os bispos. Cheios de esperança em Deus, rezemos para que o trabalho do Governo contribua para aumentar a riqueza material, social e espiritual dos Estados Unidos e a reforçar mais a solidariedade em todo o mundo.”


(MJ)

20/02/2017 14:20