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Especiais \ Memória Histórica

O Espírito Santo, senhor que dá a vida

""Senhor" significa que o Espírito Santo compartilha o Senhorio de Deus, que está do lado do Criador; em outras palavras, que é de mesma natureza divina – mesmo ser"

15/02/2017 09:00

Cidade do Vaticano (RV) - No nosso espaço Memória Histórica - 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a falar sobre a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo.

O Espírito Santo, "senhor que dá a vida, que procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado e que falou pelos profetas" foi tema de uma das reflexões de Advento do Pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa. O frei capuchinho, destacou em suas reflexões, a atualidade do Espírito Santo na Igreja pós-conciliar.

No programa de hoje, o Padre Gerson Schmidt, que tem nos acompanhado neste percurso, aprofunda a primeira afirmação dogmática sobre o Espírito Santo: "Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida":

“O Concílio Vaticano II abriu um novo horizonte de valorização de uma Teologia do Espírito Santo. Raniero Cantalamessa, nas pregações do Advento último, comenta as três grandes afirmações do Credo sobre o Espírito Santo: 1. “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida”. 2. “... e procede do Pai (e do Filho) e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”. 3. "... e falou pelos profetas".

Traduzo aqui, em linguagem coloquial, o aprofundamento de Cantalamessa, começando com a primeira afirmação:

1.. “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida”.

O credo não diz que o Espírito Santo é "o" Senhor ( no credo, se proclama, "e creio em um só Senhor Jesus Cristo"!). Senhor indica aqui a natureza, não a pessoa; diz o que é, não quem é o Espírito Santo. "Senhor" significa que o Espírito Santo compartilha o Senhorio de Deus, que está do lado do Criador, e não das criaturas; em outras palavras, que é de mesma natureza divina – mesmo ser.

A Igreja chegou a esta certeza baseando-se não somente na Escritura, mas também na própria experiência de salvação. O Espírito, já escrevia Santo Atanásio, não pode ser uma criatura, porque quando somos tocados por ele (nos sacramentos, na Palavra, na oração) fazemos a experiência de entrar em contato com Deus em pessoa, e não com o seu intermediário. Se nos diviniza, isso significa que ele próprio é Deus¹.

A expressão segundo a qual o Espírito Santo "dá a vida" é tomada de várias passagens do Novo Testamento: "É o Espírito que dá a vida" (Jo 6, 63); "A lei do Espírito dá a vida em Cristo Jesus" (Rm 8, 2); "O último Adão tornou-se espírito que dá a vida" (1 Cor 15, 45); "A letra mata, o Espírito dá a vida" (2 Cor 3, 6).

Surge a partir dai três perguntas. Em primeiro lugar, que vida dá o Espírito Santo? Resposta: dá a vida divina, a vida de Cristo. Uma vida supernatural, não uma super-vida natural; cria o homem novo, não o super-homem de Nietzsche "inchado de vida”. Em segundo lugar, onde nos dá uma vida assim? Resposta: no batismo, que é apresentado, de fato, como um “renascer do Espírito” (Jo 3, 5), nos sacramentos, na palavra de Deus, na oração, na fé, no sofrimento abraçado em união com Cristo. Em terceiro lugar, como o Espírito nos dá a vida? Resposta: fazendo morrer as obras da carne! "Se pelo Espírito fizerdes morrer as obras do corpo, vivereis", diz São Paulo em Romanos 8, 13, onde Paulo faz uma bela antítese entre a carne/espírito”.

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[1] S. Atanasio, Lettere a Serapione, I, 24 (PG 26, 585).

15/02/2017 09:00