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Tráfico: uma realidade a dois passos de Francisco

Papa beija uma mulher que foi traficada - ANSA

07/02/2017 09:03

Cidade do Vaticano (RV) – Em vista do Dia de Oração contra o Tráfico de Seres Humanos, em 8 de fevereiro, o Programa Brasileiro preparou uma série de reportagens sobre este fenômeno, abordando de modo especial o tema proposto para este dia, que são as crianças.

Quando se pensa em tráfico humano, pode-se pensar em países e realidades distantes, como Camboja ou Nigéria...mas este crime também acontece perto de nós e acontece também aqui em Roma, a dois passos do Papa Francisco.

A Itália, aliás, é um país considerado de trânsito e de destino. As vítimas traficadas são empregadas principalmente na colheita de tomate ou laranja na região sul, ou para fins de exploração sexual em cidades como Milão e Roma. É comum, inclusive em plena luz do dia, ver jovens africanas e do leste europeu, e mais recentemente chinesas, em estradas que ligam a capital à periferia. Em todas as estações do ano e condições meteorológicas. Semivestidas, aguardam seus clientes em cenários esquálidos: são sobretudo homens com família, de todas as idades e condições sociais.

Até chegarem a esta condição, o processo do tráfico é complexo: passa pelo recrutamento nos países de origem, falsificação de documentos, viagem e meta.

E a Igreja? Leigos, religiosas e religiosos combatem contra todas estas fases. Há quem faça o primeiro contato com as jovens, ainda na rua. Há o acolhimento, a terapia, a readaptação e inclusive a possibilidade da repatriação voluntária. Foi neste âmbito que conhecemos a Ir. Monica Chikwe, nigeriana, como a maioria das mulheres traficadas aqui na Itália. Ao chegarem à Líbia, Ir. Monica explica a rota:

Muitas dessas jovens, especialmente nigerianas, vêm desembarcando em Lampedusa. Os traficantes estão usando esta via para trazer suas vítimas a Roma, são mulheres e crianças para exploração sexual.

Ir. Monica de formação é enfermeira obstetra, das Irmãs Hospitaleiras da Misericórdia, mas há sete anos recebeu uma incumbência especial: trabalhar com as vítimas do tráfico. Ela cuida do escritório especializado neste assunto na sede da União das Superioras Maiores Italianas, ao lado da Piazza Navona, no centro de Roma. Mas grande parte do seu tempo Ir. Monica passa nas embaixadas, regularizando a documentação de jovens. Aliás, explica ela, esta é uma tática dos traficantes: torná-las clandestinas, através da falsificação de documentos. Desde 2013, Ir. Monica faz parte de uma programa-piloto de repatriação voluntária assistida. Num trabalho em rede, a religiosa identifica as mulheres que, reabilitadas, querem voltar a seus países com um projeto de vida. O governo nigeriano concedeu a este programa uma anistia para obter a documentação. Até agora, 36 mulheres, com seus filhos, foram repatriadas.

Um trabalho que requer paciência, perseverança e diplomacia. Mesmo convivendo com este drama diariamente, Ir. Monica acredita que é possível acabar com o tráfico:

"Também eu me pergunto: 'mas todo esse esforço, todo o tempo dedicado, é inútil?' Não, não é. Temos que ter esperança, eis o motivo pelo qual rezamos, eis o 8 de fevereiro. Este problema é muito complexo. Porque se fossem só os traficantes, eles não sobreviveriam. Sem os consumidores, os traficantes morreriam de morte natural, mas a demanda é muito alta. Então rezamos para que Deus toque seja o coração dos traficantes, seja o coração dos consumidores, que esse fenômeno que degrada a pessoa humana a uma simples mercadoria possa acabar. Esperança existe. Deus sabe fazer as coisas e ele acabará com este fenômeno, porque tantas vidas humanas estão destruídas, estão destruídas, estão destruídas. Então isso é uma desumanização e rezo todos os dias para que o Senhor faça entender seja a quem compra, seja a quem vende que a pessoa humana tem uma dignidade e esta dignidade deve ser defendida de todos os modos."  

07/02/2017 09:03