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A imodéstia de correr nas Arábias e a Ressurreição de Cristo

Na cultura árabe, expor o corpo significa perder a dignidade - AP

04/02/2017 10:00

Dubai (RV*) - Amigas e amigos, envio-lhes cordialmente uma saudação de paz e esperança. Paradoxalmente, muitos ensinamentos e mensagens têm origem em situações ilegais, contrárias aos códigos culturais e tradicionais de uma época. A maior parte dos milagres de Cristo incluiu a quebra do legalismo e tradicionalismo.

No Oriente Médio, homens e mulheres, muito antes da Era Cristã, tiveram o cuidado de usar roupas, cobrindo quase que totalmente o corpo. O vestuário feminino encobre até os dedos dos pés enquanto o masculino chega até os tornozelos. Expor, mesmo que parcialmente o corpo, significa perder a dignidade e causar constrangimento. Por isso era e, continua sendo inadmissível levantar o vestuário, mesmo que moderadamente, expondo pernas ou parte das coxas para correr. Ainda hoje é raríssimo ver uma árabe correr.

A narração dos acontecimentos a respeito da Ressurreição de Cristo relata corridas de volta e ida ao sepulcro que infringem os códigos de conduta da época.

As mulheres foram ao sepulcro embalsamar o corpo de Cristo. Percebendo que estava vazio, fugiram correndo.  Mulheres adultas, de vestido levantado, correndo em público? Que vergonha!  Mas espera aí. Que coisa horrorosa as fez correr? Devia ter acontecido alguma coisa muito séria para que desconsiderassem a dignidade e a vergonha.

Se elas não ficaram constrangidas por embalsamar o corpo nu de Cristo, o que as fez correr?  Que emoções sentiram ao sair correndo de um lugar onde não havia nada? Parece ser uma mistura de alegria, medo, terror e esperança. No lugar de um corpo machucado e morto, encontraram um túmulo vazio.

Assim que elas comunicaram a ausência do corpo, foi a vez de os homens surpreenderem a todos com uma corrida anticultural e imodesta.  Levantando suas vestes, exibindo pernas e coxas, em movimentos livres, Pedro e João saíram em disparada, rumo ao túmulo vazio.

A Ressurreição de Cristo fez as pessoas correrem, sem nem levar em conta o que os outros pensariam, deixando de queixo caído os observadores daquele espetáculo incomum para a cultura e códigos de conduta do Oriente Médio.

Naquele dia, de manhã cedo, com o sol surgindo, corridas frenéticas e imodestas significaram o início de vida nova com Cristo ressuscitado, nas comunidades de fé.

*Missionário Pe. Olmes Milani CS

Das Arábias para a Rádio Vaticano

04/02/2017 10:00