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Especiais \ Memória Histórica

A Igreja da Lumen Gentium e da Gaudium et Spes

Com a eclesiologia da GS e da LG, a Igreja entra em diálogo e comunhão ativa com o mundo - OSS_ROM

04/01/2017 09:00

Cidade do Vaticano (RV) - No nosso espaço Memória Histórica - 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a tratar dos documentos conciliares, falando na edição de hoje sobre "A Igreja da Lumen Gentium e da Gaudium et Spes".

Entramos num novo ano. Daremos continuidade em 2017 ao nosso espaço de resgate histórico do Concílio Vaticano II, aprofundando os diversos documentos elaborados durante o maior Concílio da história da Igreja, que reuniu mais de 2 mil Padres Conciliares de todos os cantos do mundo, desde a sua abertura pelo Papa João XXIII em 11 de outubro de 1962 até a sua conclusão por Paulo VI, em 8 de dezembro de 1965.

O Padre Gerson Schmidt, incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre vai continuar a nos acompanhar neste percurso, trazendo para nós, na edição de hoje, "A Igreja da Lumen Gentium e da Gaudium et Spes":

"Constata-se que a Eclesiologia da Lumen Gentium e da Gaudium et Spes não apenas se completam, mas ambas são dois momentos da nova consciência eclesial proposta pelo Vaticano II. Sem a consciência trinitária, a Igreja não pode ter uma verdadeira atitude de diálogo com o mundo. Como instrumento de salvação de Deus no mundo, ela se põe a serviço do mundo, não em atitude de superioridade, mas de serviço – tônica fundamental dos padres conciliares. Essa visão está de acordo com o papel central de Jesus Cristo na sua Igreja. Ele é o centro, e não a Igreja. A Igreja não é o Reino, mas está a serviço dele.

Dois pontos queremos aqui hoje frisar:

1. Um primeiro elemento é que a consciência da relação da Igreja com a Trindade como fonte de toda a realidade, mesmo a histórica, e não pela relação de seus membros a um meio visível e criado, dá consciência à Igreja de sua natureza, isto é, de que ela é instrumento de salvação para toda a humanidade e, por isso, entra em comunhão com o mistério humano. Assim, se descortina uma perspectiva nitidamente histórico-salvífica, radicada na consciência de que a Igreja de Deus – Ekklesía tou Theou – se origina do coração do Pai pelo Filho e pelo Espírito Santo. Por isso, as duas Constituições são nitidamente cristocêntricas. O teólogo italiano Scolla afirma que a antropologia da Gaudium et Spes é uma “antropologia cristocêntrica”¹  (Como exemplo, podem citar-se os números 10, 22, 32, 38-39, 40-41, 45 da Gaudium et Spes).

De modo particular, o número 22, tão frequentemente referido pelo saudoso Papa João Paulo II, em seus documentos, o qual declara que “o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente”. É tão importante essa frase que vou repetir ao ouvinte para não esquecer – frase citada muitas vezes por João Paulo II: “o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente”. Ou seja: no mistério de Cristo, o mistério e o sentido do homem no mundo se esclarece. É em Cristo que o homem vai encontrar sua verdadeira identidade.

2. Um segundo elemento é a dimensão pastoral, como intenção geral do Concílio, mas de modo particular, dessas duas Constituições sobre a Igreja. Na Gaudium et Spes, a Igreja entra em diálogo e comunhão ativa com o mundo, ressoando, de modo especial, no aggiornamento e nos sinais dos tempos. Ela não é apenas sinal, para o mundo, da salvação de Deus, mas faz acontecer a salvação do mundo na história humana, comprometendo-se na transformação das realidades terrenas à luz do desígnio salvífico de Deus à luz do Evangelho, dos princípios cristãos.

Ela é sinal e instrumento do amor irradiador de Deus de que ela faz a experiência. Há aqui uma totalidade: não há dois desígnios de Deus: um primeiro, o original, que o pecado veio a arruinar, e um segundo, o plano salvador, que pôs na sombra o plano criador, utilizando-o como trama sobre o qual ele faria acontecer as suas maravilhas. Criação e salvação encontram-se no mesmo impulso amoroso de Deus por nós, seres humanos, conduzindo-nos à glorificação pascal. É o mesmo plano de amor de Deus. A redenção é a recapitulação da história humana para reconduzí-la à sua verdadeira fonte: o amor da Trindade".

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¹ A. SCOLA, Gaudium et Spes: dialogo e discernimento nella testimonianza della verità. In R. FISICHELLA, op. cit., p. 92.

 

 

04/01/2017 09:00