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Reforma na mídia do Vaticano: Rádio e TV unidos em 2017

Secretaria tem 650 funcionários envolvidos na comunicação do Vaticano - RV

30/12/2016 09:46

Cidade do Vaticano (RV) – 2017 será um ano-chave para a comunicação no Vaticano: a partir de 1º de janeiro, a Rádio Vaticano e o Centro Televisivo Vaticano serão uma só coisa e na Páscoa, começará a funcionar o único portal multimídia do Vaticano, com vídeos, fotos, tuites, textos e áudios. Será um único site, convergindo todos os outros informativos existentes até agora. 

A Secretaria para a Comunicação, assim é chamado o novo ‘ministério’, que vai modernizar e adaptar aos tempos atuais o aparato midiático da Santa Sé, foi criada pelo Papa em junho de 2015, quando foi nomeado como ‘Prefeito’ Mons. Dario Viganó, 54, até então diretor do Centro Televisivo Vaticano (CTV). Em entrevista ao jornal La Nacion, o professor de teologia da comunicação da Pontifícia Universidade Lateranense revela que o desafio é imenso e encontra muitas resistências.

“Mais do que medo, existe ansiedade, o que é intrínseco a qualquer mudança. O Papa disse que ninguém perderá o emprego, mas deverá merecer seu salário. Deste ponto de vista, quando alguém é profissional e trabalha, não terá nada a temer. Mas não nos esqueçamos também de outras palavras do Papa: quem recebe salário sem trabalhar, leva para casa um ‘pão sujo’. Fique claro que não daremos espaço para que estas situações se verifiquem”. 

Mas, exatamente, o que vai mudar?

“Por um lado, vai mudar a gestão econômica para adaptá-la ao critério apostólico. Um exemplo concreto: é muito importante que o magistério do Papa chegue à região linguística árabe e à de língua chinesa. Ali, evidentemente não se aplica um critério econômico, mas apostólico. No entanto, este critério tem que se conjugar com o que diz a doutrina social da Igreja, ou seja, que devemos ser absolutamente responsáveis por cada euro que gastamos, para que não sejam um custo, mas um investimento para o Evangelho. E isto é uma coisa que já está mudando. Outro exemplo: eliminamos da Sala de Imprensa do Vaticano a maioria dos boletins impressos em papel, por motivos econômicos, mas também seguindo as indicações do Papa para sermos mais ecológicos. Agora enviamos os boletins por email. Só esta medida significa uma grande economia anual”. 

No total, quantas pessoas trabalham nos departamentos de comunicação do Vaticano?

“No fim, quando nos unificaremos, seremos 650 funcionários com contrato fixo. Muitos. Agora estamos promovendo e já realizamos vários cursos de formação. A doutrina social da Igreja nos diz que o bem mais precioso de uma empresa são seus recursos humanos. Assim, alguns funcionários estão se especializando em jornalismo digital, em marketing... Outra mudança é que o pessoal pode ser compartilhado, não se limita a uma única instituição. Além disso, com a ajuda de patrocinadores e de doações, estamos nos dotando de uma tecnologia mais moderna. Na Sala de Imprensa, trocamos as duas TVs que tínhamos desde os anos 70 e consegui que a Sony nos desse dois telões de 75 polegadas. E ainda temos que implantar fibra  óptica em muitos lugares, porque aqui está tudo velho”.

O que mais está faltando? 

“Quando Francisco foi eleito Papa, nos motores de busca não aparecia nenhum site do Vaticano na primeira página. Isto significa que devemos ensinar nossos funcionários a escrever para a Rede, o que começa com este investimento na formação que estamos fazendo. Porque isto é outra coisa: o modelo de comunicação que temos aqui é unidirecional, dos anos 50, de cima para baixo; nós decidimos e imaginamos que os outros nos ouvem, encantados. Mas não é mais assim, devemos assumir outro paradigma, que situa os usuários em primeiro lugar”.

Escolher como diretor e seu vice na Sala de Imprensa dois ‘estrangeiros’: um estadunidense, Greg Burke, e uma mulher, a espanhola Paloma García Ovejero, foi um sinal forte.

“O Papa escolheu estes sinais porque esta é a Sala de Imprensa da Santa Sé, não da Igreja italiana”.

O que está em jogo com esta reforma nas comunicações?

“Na reforma da comunicação estamos realmente muito atrasados. Creio que podemos oferecer um serviço melhor, antes de tudo às Conferências Episcopais locais, aos porta-vozes das Conferências Episcopais e à rede de jornalistas de todo o mundo”. 

(EP/CM)

30/12/2016 09:46