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Gaudium et Spes, a Carta Magna do diálogo entre a Igreja e o mundo

Gaudium et Spes, a Carta Magna do diálogo entre Igreja e mundo - OSS_ROM

23/11/2016 09:00

Cidade do Vaticano (RV) - No nosso espaço Memória Histórica - 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos tratar no programa de hoje, da Constituição Gaudium et Spes, a "Carta Magna" do diálogo entre a Igreja e o mundo.

 As transformações que ocorreram especialmente a partir do século XX, trouxeram muitos questionamentos a respeito da fé. Neste sentido, a Gaudium et Spes traça as linhas mestras de como deva se dar este diálogo entre a fé-doutrina da Igreja e um mundo em constante transformações que a circunda. Padre Gerson Schmidt:

"É a partir da Lumen Gentium que entendemos a Constituição Apostólica Gaudium et Spes. A Gaudium et Spes não é uma constituição dogmática como as outras três importantes, mas de cunho pastoral. A maioria dos teólogos são unânimes em considerar que a Gaudium et Spes (GS) representa a expressão particularmente significativa de uma atitude de abertura da Igreja, a partir do Vaticano II, em relação com o mundo contemporâneo[1]. A categoria do diálogo fornece a chave para a elaboração e para a compreensão do texto da GS. Ela é a “magna carta” do diálogo entre a Igreja e o mundo[2]. Como afirmou o Cardeal dom Aloísio Lorscheiter, Arcebispo emérito de Aparecida (SP): “A constituição do diálogo com o mundo é a Gaudium et Spes”.

A Igreja “dialoga dentro da própria Igreja; dialoga com as outras igrejas cristãs; dialoga com as outras religiões; dialoga com o mundo (...) Dialoga com o mundo marxista, com o mundo técnico-científico, com o mundo em desenvolvimento. Não há realidade verdadeiramente humana que não encontre eco no coração da Igreja (Gaudium et Spes, 1)”[3].

Paulo VI, na Ecclesiam Suam, já havia aprofundado essa categoria. O Papa Paulo VI, nessa encíclica, lançava a pergunta: Quais as relações que a Igreja deve hoje estabelecer com o mundo que a circunda e em que vive e trabalha? E ele mesmo responde: “É o chamado problema do diálogo entre a Igreja e o mundo moderno, problema cuja apresentação, na sua amplitude e complexidade, cabe ao Concílio, como também o esforço para o resolver da melhor maneira possível”[4]. Ainda dizia Paulo VI: “Desta nossa consciência esclarecida e ativa (- a consciência da identidade da Igreja) nasce o desejo espontâneo de comparar a imagem ideal da Igreja, qual Cristo a viu, quis e amou como sua Esposa santa e imaculada (cf. Ef 5,27), de a comparar, dizemos, com o rosto que ela apresenta hoje. Este, pela graça divina, é fiel, sem dúvida, aos traços que o seu divino Fundador nela imprimiu e o Espírito Santo vivificou, ampliou, aperfeiçoou no decurso dos séculos, tornando a Igreja mais fel ao conceito inicial e, por outro lado, mais ajustada à índole da humanidade que ela ia evangelizando e incorporando a si. Nunca, porém, o rosto da Igreja mostrará toda a perfeição, beleza e santidade, todo o brilho exigido pelo conceito divino que a modela”[5].

Cabe aqui a pergunta sempre intrigante que já estamos fazendo ao longo desse nosso estudo radiofônico: o rosto atual da Igreja é semelhante à imagem ideal da Igreja que Cristo conferiu, modelou ao morrer por ela na cruz, conforme aponta a Carta aos Efésios, como esposa sem mácula, sem ruga e sem mancha? Somos fiéis à missão conferida por Cristo a nós em sua paixão? E o Papa Paulo VI mesmo responde um pouco isso – como lemos a pouco - dizendo que o Espírito Santo foi modelando esses traços do rosto da Igreja no decurso dos séculos. Mas “nunca mostrará toda perfeição, beleza e santidade, todo o brilho desse rosto exigido pelo conceito divino que a modela”.

Amigo ouvinte: o Concílio Vaticano II propõe, sobretudo na GS, uma Igreja dialogante. Igreja dialogante decorre do conceito de uma Igreja comunhão e participação, de uma Igreja servidora e solidária. A Igreja dialoga dentro de si mesma, com as outras igrejas cristãs, com as outras religiões, com o mundo, com as ciências, com as ideologias, com a modernidade. Hoje com a pós-modernidade, que se volta para o subjetivismo e individualismo muito grande. Por isso, não impõe a verdade, que é Cristo, mas propõe, anunciando e evangelizando". (JE)

 

[1] A. SCOLA, Gaudium et Spes: dialogo e discernimento nella testimonianza

della verità. In R. FISICHELLA, op. cit., p. 83.

[2] É a expressão usada por S. LYONNET, Il dialogo tra la Chiesa e il mondo. Rileggendo la costituzione Gaudium et Spes. La Civiltà Cattolica 133 (1982/3), p. 105.

[3] LORSCHEITER, Dom Aloísio. Linhas Mestras do concilio Vaticano II. In: Concilio Vaticano II: 40 anos de Lumen Gentium, org. Manoel Augusto dos Santos, Edipucrs, Porto Alegre, 2005, p. 23.

[4] Paulo VI, Ecclesiam Suam, 5.

[5] Paulo VI, Ecclesiam Suam, 4. 

 

23/11/2016 09:00