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Encontro em Assis: Igreja ortodoxa convida a não ter medo do diálogo

Patriarca Bartolomeu I e o presidente da Itália, Sergio Mattarella, por ocasião do evento em Assis - ANSA

19/09/2016 16:49

Cidade do Vaticano (RV) – A cidade italiana de Assis aguarda o Papa Francisco nesta terça-feira (20) para participar da cerimônia conclusiva do Encontro Inter-religioso pela paz entre os povos promovido pela Comunidade de Santo Egídio. O Santo Padre vai abraçar os representantes das Igrejas e das religiões mundiais que, neste ano, estão unidos ao tema “Sede de Paz: religiões e culturas em diálogo”.

Patriarca Bartolomeu e os cinco caminhos para paz

O evento, que reúne mais de 450 líderes do mundo, foi inaugurado no domingo (18) com a presença do presidente da Itália, Sergio Mattarella, que afirmou: “o diálogo pode muita coisa, mais do que se imagina”. Na intervenção do Patriarca Ecumênico de Constantinopla, o convite da Igreja ortodoxa a não ter medo do diálogo. Bartolomeu I também indicou os cinco caminhos para preservar a paz: o amor, a justiça, o perdão, o discernimento sobre a verdade e o respeito.

“O diálogo precisa de equilíbrio. Não submisso, mas sobretudo que não tire os interlocutores da sua própria natureza. Isso é conhecimento recíproco; é interconexão e mais sincretismo cultural e religioso (...). Os nossos grandes pais da Igreja nunca tiveram medo do diálogo com o ambiente espiritual da sua época, nem com os filósofos pagãos daquele tempo. Dessa maneira influenciaram e educaram a civilização da sua época e nos entregaram realmente uma Igreja ecumênica.”

Pluralidade, diversidade e respeito

Hebreus e muçulmanos condenaram o terrorismo e falaram de pluralismo, diversidade e respeito. Todos confirmaram que a violência não tem nada a ver com a religião e analisaram três pontos de reflexão, sustentados pelo Santo Padre, do sociólogo polonês Zygmund Bauman: a “promoção da cultura do diálogo para reconstruir o tecido da sociedade”, a igualdade na “distribuição dos frutos da terra” e o ensinamento da cultura do diálogo aos jovens para então “fornecer instrumentos para resolver os conflitos em maneira diversa daquela que estamos acostumados”.

Fé e amor de Deus em meio ao terrorismo

O arcebispo francês de Rouen, Dominique Lebrun, lembrou do assassinato do Pe. Jacques Hamel, em plena missa, por parte de dois que se diziam de “fé islâmica”. Ele citou várias vezes o Evangelho e o amor de Deus que sempre estará pronto para perdoar. E contra qualquer barreira fez menção ao final do mês de julho quando, como uma “grande família humana”, muitos muçulmanos participaram das “assembleias de domingo” na igreja católica.

O conselheiro político do Grão-Mufti do Líbano, o sunita Muhammad al-Sammak, acrescentou que “as relações entre religiões diferentes não podem se basear na eliminação, como hoje faz o autoproclamado Estado Islâmico, mas sobre a fé no pluralismo e na diversidade”.

Transmissão ao vivo da RV

Entre segunda e terça-feira em Assis acontecem as sessões de trabalho que abordarão temas da guerra à justiça social, do meio ambiente ao desenvolvimento tecnológico, passando pelos desafios das migrações, a luta à pobreza e a praga do terrorismo. A partir das 16h desta terça (20), então, haverá um momento de oração pela paz: os cristãos rezarão na Basílica Inferior de São Francisco. O evento terá transmissão ao vivo da Rádio Vaticano, com comentários em português. (AC)

19/09/2016 16:49