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Card. Parolin sobre Encontro de Assis: A força frágil da oração

"Assis 1986 abriu um caminho em que cada religião deve deixar de lado toda tentação fundamentalista e entrar em um espaço de diálogo" - RV

13/09/2016 15:28

Cidade do Vaticano (RV) -  “A força frágil da oração que em 1986 uniu o mundo dilacerado” é o título do artigo do Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin, publicado esta terça-feira, 13 de setembro, no jornal italiano “Corriere dela Sera”.

O artigo insere-se no  âmbito do Encontro de Oração pela Paz a ser realizado em Assis, de 18 a 20 de setembro, sob o tema “Sede de Paz. Religiões e Culturas em diálogo”, e que 30 anos mais tarde, recorda o histórico de 1986 ,desejado pelo então Papa João Paulo II.

 “Em 27 de outubro de 1986 um fato sem precedentes rasgou o muro de pessimismo e da resignação em um mundo ainda dividido pela Cortina de Ferro e onde a guerra, embora fria em muitas situações, era considerada uma companhia inevitável da vida dos homens.

Convocando os líderes das grandes religiões mundiais em Assis para rezar pela paz, João Paulo II assumiu a responsabilidade de abrir um caminho em que as religiões se comprometiam, com maior ímpeto e nova força, sobre este tema. Aquele histórico dia e o espírito que dele brotou, falam não somente de paz, mas também da unidade do gênero humano.

Assis, 1986, mesmo na sua extraordinária novidade, vinha de longe: era o fruto de uma estação de diálogo. Um diálogo desenvolvido durante um século, o XX, repleto de esperanças e ao mesmo tempo de grandes sofrimentos. Naquele século terrível que – segundo recentes estimativas – contou 180 milhões de mortos pela guerra, alguma coisa aproximou os fieis. Na segunda metade do século XX, pessoas de religiões diversas falaram-se e encontraram-se como nunca na história.

O encontro de Assis

Assis, 1986, é o fruto maduro desta estação: os líderes religiosos juntos diante do mundo, juntos em oração, como que perseguidores de paz. Não tratou-se de um ritual a mais, mas da manifestação comum da confiança nas energias espirituais e na extraordinária força frágil da oração. Uma oração sem fungibilidades sincretistas, mas respeitosa pela diversidade.

É útil reler as palavras de João Paulo II no discurso conclusivo na Praça de São Francisco. “Talvez nunca como agora na história da humanidade, tornou-se evidente a todos a ligação intrínseca entre um comportamento autenticamente religioso e o grande bem da paz… a oração já é em si mesma ação, mas isto não nos exime da ação a serviço da paz”.

Nos fundamentos de todas as tradições religiosas, está escrito o valor da paz. É isto que está na base da iniciativa de Assis e que ajuda a superar tantas distâncias, algumas vezes abismais, entre mundos diferentes.

O desafio dos tempos

O nosso é um tempo em que pessoas de religiões ou de etnias diferentes vivem juntos. É a experiência da Europa diante das imigrações, mas também de uma nova comunalidade entre Leste e Oeste e entre Norte e Sul. É também o desafio do mundo virtual em que se entra sempre mais em contato com todos: no virtual se vive sempre mais juntos e se é destinado a entrecruzar com quem é diferente de nós.

É, por fim, o desafio de um mundo em que se vê tudo e se vê sempre mais a riqueza de poucos e a miséria de tantos, como frequentemente nos sugere o Papa Francisco.

Conviver é a realidade de muitos povos, de muitas religiões, de tantos grupos. Nem sempre é fácil. Uma convivência com muitas diferenças, horizontes muito amplos, como da mundialização, induzem fenômenos preocupantes que estão sob os nossos olhos: individualismos irresponsáveis, tribalismos defensivos, novos fundamentalismo, terrorismo.

A força das religiões

Assis 1986 abriu um caminho em que cada religião deve deixar de lado toda tentação fundamentalista e entrar em um espaço de diálogo que é a arte paciente de ouvir-se, de entender-se, de reconhecer o perfil humano e espiritual do outro.

Do seio das tradições religiosas, capazes de diálogo, emerge a arte de conviver tão necessária em uma sociedade plural como a nossa. É arte da maturidade das culturas, das personalidades, dos grupos. É esforço constante pela paz no local e no global.

As Escrituras cristãs recordam que Jesus “é a nossa paz”. Faz eco disto o magistério dos Papas do século XX sobre o mesmo tema, até chegar ao do Papa Francisco. As religiões não têm a força política para impor a paz mas, transformando interiormente o homem, convidando-o a separar-se do mal, o guiam para uma atitude de paz do coração.

A religião tem uma energia de paz, que deve libertar e manifestar. Toda religião tem o seu caminho. Mas todas têm uma responsabilidade decisiva na convivência: o diálogo delas tece uma trama pacífica, rejeita as tentações de lacerar o tecido civil, a instrumentalizar as diferenças religiosas para fins políticos. Mas isto requer audácia e fé aos homens e às mulheres de religião. Exige coragem. Requer abater com a força moral, com a piedade, com o diálogo, os tantos muros de separação que se levantam no mundo”.

 

(JE)

13/09/2016 15:28