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Bispo denuncia privatização da água na Patagônia chilena

Glaciar na Patagônia chilena - AFP

29/07/2015 11:17

Cidade do Vaticano (RV) - “Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável.”

Essas palavras do Papa Francisco estão contidas na Encíclica Laudato si. No texto, o Pontífice adverte que o controle da água por grandes empresas mundiais pode se transformar numa das principais fontes de conflitos deste século.

Esta é a preocupação do Bispo de Aysen, na Patagônia chilena, Dom Luis Infanti. Em entrevista ao Programa Brasileiro, Dom Infanti denuncia que 97% da água da região está nas mãos de uma empresa italiana – um motivo de escândalo não somente para a Patagônia, mas também para a Itália, país de origem de Dom Luis, pois se trata de um empresa em que o Estado tem a sua participação.

“Uma empresa italiana é proprietária de 97% da água da Patagônia, proprietária, por lei, pela Constituição chilena. Uma Constituição elaborada e aprovada no tempo da ditadura. Portanto, é um escândalo não somente para a Patagônia, mas também para a Itália, porque se trata de uma empresa em que o Estado italiano também tem a sua participação. O Papa diz que sobre cada propriedade privada recai sempre uma dívida social. A dívida social é que a água é um direito humano essencial, que está incluído na Bíblia, antes do início da criação, pois o espírito de Deus paira sobre as águas. É um elemento vital, essencial para a vida. Portanto, não pode ser propriedade privada e menos ainda mercantilizada como acontece na Patagônia e em outras partes do mundo. Portanto, a Encíclica do Papa é um convite, um clamor para ouvir dos povos que querem mais dignidade.”

A denúncia de Dom Luis Infanti encontra respaldo na Encíclica do Papa.

Escreve Francisco: “Enquanto a qualidade da água disponível piora constantemente, em alguns lugares cresce a tendência para se privatizar este recurso escasso, tornando-se uma mercadoria sujeita às leis do mercado. Na realidade, o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos.”

O Bispo de Aysen critica ainda o modelo de desenvolvimento da América Latina que, segundo ele, ainda é vítima da colonização. Desta vez, por parte do capital:

“Um continente que continua a sofrer pela colonização de grandes empresas transnacionais, que querem apropriar-se não somente dos bens deste continente, assim como do continente africano, mas querem destruir, cancelar a história, a cultura e a espiritualidade de povos milenários, como são os que povoam este continente. Uma globalização sobretudo tecnológica, econômica, que mais se parece com uma nova colonização de domínio do que de liberdade e equidade.”

29/07/2015 11:17