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Artigos \ Reflexão

Deus é Pai

Jesus revelou que Deus é "Pai" num sentido inaudito, jamais utilizado até então - OSS_ROM

20/02/2015 19:02

Cidade do Vaticano (RV) – No nosso espaço dedicado aos 20 anos da publicação do Novo Catecismo, o Padre Gerson Schmidt nos propõe hoje a reflexão ‘Deus é Pai’:

“Amado ouvinte!

Falamos no encontro anterior sobre a essência de Deus, que é amor, porque me ama incondicionalmente e perdoa o meus pecados. Hoje, seguindo o Catecismo da Igreja Católica, falaremos sobre a revelação de Deus como Pai. Se você está acompanhando pelo Catecismo é o número 238, que diz assim: “Em Israel, Deus é chamado de Pai enquanto Criador do mundo. Deus é Pai, mais ainda, em razão da Aliança, e do dom da Lei a Israel, seu "filho primogênito" (Ex 4,22).

Já no Antigo Testamento, Deus é chamado de Pai, claro, não com aquela intimidade que Jesus Cristo utilizou a expressão (logiun) Abba, que significa literalmente, Papai amado, Pai querido, amadíssimo. Jesus revelou que Deus é "Pai" num sentido inaudito, jamais utilizado até então: não o é somente enquanto Criador, mas é eternamente Pai em relação a seu Filho único, que só é eternamente Filho em relação a seu Pai: "Ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece O Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar", aponta o Evangelho em Mateus 11,27.

No número 239 do Catecismo tem uma bela explicativa dessa expressão de Deus como Pai de tudo e de todos. Vou ler que vale a pena frisar aqui:

Ao designar a Deus com o nome de "Pai", a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos: que Deus é origem primeira de tudo autoridade transcendente, e que ao mesmo tempo é bondade e solicitude de amor para todos os seus filhos. Esta ternura paterna de Deus pode também ser expressa pela imagem da maternidade, que indica mais imanência de Deus, a intimidade entre Deus e sua criatura. Portanto, também poderias dizer aqui que Deus é mãe. E continua o Catecismo: A linguagem da fé inspira-se, assim, na experiência humana dos pais (genitores), que são de certo modo os primeiros representantes de Deus para o homem. Mas esta experiência humana ensina também que os pais humanos são falíveis e que podem desfigurar o rosto da paternidade e da maternidade. Convém então lembrar que Deus transcende a distinção humana dos sexos. Ele não é nem homem nem mulher, é Deus. Transcende também a paternidade e a maternidade humanas embora seja a sua origem e a medida: ninguém é pai como Deus o é.

Amigo, amiga: Deus é teu Pai. Muito diferente do teu pai limitado terreno que por algum motivo possa não ter sido fiel e amoroso.

Muitos de nós não conseguimos chamar a Deus de Pai porque temos uma experiência muito negativa de nosso pai terreno. Somente depois de um perdão muito profundo ao nosso pai genitor ou responsável, que nós conseguiremos nos relacionar de maneira mais filial ao Deus Criador e Pai.

Seguindo a Tradição apostólica, a Igreja, no ano 325, no primeiro Concílio Ecumênico de Nicéia, confessou que o Filho, Jesus Cristo, é "consubstancial" ao Pai, isto é, um só Deus com Ele. O segundo Concílio Ecumênico, reunido em Constantinopla em 381, conservou esta expressão em sua formulação do Credo de Nicéia e confessou "o Filho Único de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai”. Portanto, Pai e Filho são iguais em dignidade e importância. Nenhum é mais que outro. O Filho revelou o Pai de maneira nova, profunda, íntima e reveladora.

Esperamos que o ouvinte possa chamar constantemente a Deus de seu Pai, que ama e entrega seu filho unigênito por amor a cada um. Que hoje a tua oração do Pai-Nosso seja uma expressão profunda e filial de entrega ao Pai do Céu que verdadeiramente de ama como tu és.

Amado ouvinte, até breve. Paz e benção a você”.

 

20/02/2015 19:02